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Pequenas empresas do maior celeiro do Brasil também querem exportar

Carlos A. Moreno.

Cuiabá, 10 set (EFE).- No estado do Mato Grosso, maior produtor de grãos do Brasil e uma das regiões que mais exporta alimentos no mundo, as pequenas empresas não querem ficar pra trás e lançaram uma iniciativa para também levar seus produtos ao exterior, pelo menos aos países vizinhos.

Uma rodada de negócios realizada nesta semana em Cuiabá permitiu que 34 pequenas produtoras de alimentos de Mato Grosso se divulgassem entre importadores de outros países sul-americanos, fizessem contatos para futuros negócios e, em alguns casos, até assinassem contratos para começar a exportar.

"Tivemos uma negociação muito importante, muito interessante, com um investidor, um comprador que também trabalha com chocolates e doces e começamos uma negociação muito promissora. Outro país também manifestou interesse, mas com o da Colômbia o negócio ficou praticamente fechado", disse à Agência Efe Fabiana Luoly, proprietária de uma fábrica de chocolates que leva seu sobrenome.

Segundo o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), sua rodada internacional de negócios para pequenos aprendizes de exportador em Mato Grosso terminou com cerca de R$ 150 milhões em possíveis compras e "excelentes expectativas de negócios para os próximos 12 meses".

"O objetivo era aproximar empresas latino-americanas. Convidamos sete países a participar na rodada: Bolívia, Chile, Peru, Uruguai, Paraguai, Argentina e Colômbia. Duas empresas por cada país e tivemos mais de 150 agendas de negócios", disse à Efe o gerente de Inteligência Estratégica do Sebrae no Mato Grosso, André Schelini.

Para este economista e um dos principais organizadores do encontro, quando os pequenos produtores de alimentos ponham no exterior produtos de valor agregado e marcas, o Mato Grosso deixará de ser um simples exportador de matérias-primas.

Cerca de 99% dos US$ 12,58 bilhões que este estado exportou em 2016 foram grãos e carnes.

Com seus pouco mais de 3,3 milhões de habitantes em 903.457 quilômetros quadrados de território (tamanho da França e a Alemanha juntas), o Mato Grosso é o principal produtor de soja (com 31 milhões de toneladas anuais), milho (26,5 milhões de toneladas), algodão e carne bovina do Brasil (30 milhões de cabeças), e o segundo maior exportador de produtos agropecuários, atrás apenas de São Paulo.

Se fosse um país, o Mato Grosso seria o quarto principal exportador de soja do mundo, ultrapassado apenas por Estados Unidos, Brasil e Argentina.

Mas seus únicos exportadores são as grandes e médias empresas, que só equivalem a 4% dos 208.000 estabelecimentos.

As 40 maiores empresas do Mato Grosso respondem por 86% das exportações, enquanto as pequenas e micros (96% do total) respondem por 1% das vendas externas.

Para mudar um modelo baseado na produção agropecuária de latifundiários e estimular exportações de produtos de valor agregado, o Sebrae convidou à sua rodada de negócios pequenos produtores de biscoitos, sucos, bebidas, cachaça, frutas, conservas, castanhas, palmitos, congelados e café.

"O Mato Grosso é conhecido em todo o todo o mundo como um grande produtor de cereais, de alimentos, mas tem outros produtos que também podem ser exportados, como alguns industrializados, com valor agregado, produtos com características regionais, produtos tradicionais da região", explicou Schelini.

"As empresas participantes são do segmento de alimentos e bebidas, que têm um potencial de complementaridade com os mercados convidados. Para escolher os convidados, fizemos um estudo para saber o que esses países compram em outras regiões mais distantes como Europa e Estados Unidos, e que o Brasil, especialmente o Mato Grosso, pode oferecer-lhes", disse o especialista do Sebrae.

Apesar de estar situado no meio da América do Sul e equidistante ao Atlântico e ao Pacífico, o estado tem graves problemas logísticos para exportar e os grandes produtores dependem das poucas vias terrestres, o que encarece a exportação.

Para superar este problema, o Sebrae buscou uma alternativa aérea e assinou um convênio com a Infraero.

"Temos condições de acessar esses mercados. O Mato Grosso já acessa esses mercados. Agora é preciso criar um espaço para que as pequenas empresas também participem dos negócios globais", concluiu Schelini.

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