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Bitcoin sofre forte desvalorização e evidencia sua grande volatilidade

Agustín de Gracia.

Nova York, 22 dez (EFE).- O valor do bitcoin despencou nesta sexta-feira, o que demonstra a grande volatilidade que afeta esta criptomoeda, que registrou uma desvalorização próxima de 20% nas últimas 24 horas, dias depois de estrear no mercado de futuros nos Estados Unidos.

A desvalorização começou quando os mercados dos Estados Unidos estavam fechados durante a noite, sem que se conheça uma razão específica, algo difícil tendo em conta as lacunas legais desse mercado e a pouca, ou quase nula, transparência das transações.

O alarme tem se espalhado tanto que a Coinbase, considerada a plataforma de compra e venda de moedas virtuais mais importante dos Estados Unidos, anunciou que tinha interrompido temporariamente as operações e que estava fazendo o possível para restabelecê-las.

O anúncio foi feito às 16h11 GMT (14h11 em Brasília) de hoje e, pouco depois, atribuiu a interrupção ao "enorme tráfego" nas operações.

Naquela hora, a mais bem-sucedida das mais de 29 criptomoedas que têm capitalização superior a US$ 1 bilhão estava cotada a US$ 12,8 mil, uma queda de 18,2% desde o dia anterior no mesmo horário.

No entanto, durante o dia a criptomoeda chegou a registar um mínimo de US$ 11.069, uma queda que começou a se agravar pouco antes da abertura dos mercados financeiros em Wall Street.

A cotação de hoje está muito abaixo do valor de mais de US$ 19,8 mil que tinha no último domingo, um dia antes de o bitcoin começar a operar no CME, o principal mercado de derivados financeiros dos Estados Unidos, com sede em Chicago.

A entrada do bitcoin no CME e a oferta que foi feita uma semana antes pelo CBOE, outro mercado de derivados financeiros de Chicago menor que o anterior, gerou expectativas de que haveria uma diminuição da volatilidade que a moeda virtual vem registando nos últimos anos.

Há um ano, o bitcoin era cotado a cerca de US$ 800 e, desde então, sofreu uma valorização de 1.367%.

Mas o empurrão maior ocorreu em meados de novembro, quando o bitcoin estava cotado em torno dos US$ 6 mil, e já iniciou dezembro acima dos US$ 10 mil.

A razão da queda de hoje que foi apontada pelos meios especializados está vinculada a problemas técnicos que, aparentemente, as principais plataformas de compra e venda estão experimentando nos últimos dias devido à popularidade crescente da criptomoeda.

A Coinbase reconheceu na quarta-feira que não estava conseguindo concluir muitas transações pela avalanche de solicitações nos últimos dias.

A plataforma anunciou então que as transferências poderiam levar até cinco dias úteis para serem concluídas e os problemas se agravaram hoje.

A queda do bitcoin hoje na cotação real também estava se refletindo no mercado de futuros da CME.

Nas negociações futuras de bitcoins para o prazo de um mês, a criptomoeda estava com um preço de US$ 12.525 por volta de 16h30 GMT (14h30 em Brasília), com uma desvalorização de US$ 2.805 desde o dia anterior, após ter alcançado um máximo de US$ 19 mil no lançamento na segunda-feira.

A queda de hoje está dando a razão aos que insistem que investir em bitcoins não é uma opção razoável, devido à sua forte volatilidade e ao fato de essa criptomoeda não estar inserida em nenhum sistema econômico.

Alguns vão além, como Charlie Munger, o braço direito do magnata Warren Buffett, um dos maiores investidores de Wall Street, que fez comentários há vários dias durante um bate-papo na Universidade de Michigan, que ganharam grande notoriedade nas últimas horas após ser veiculado no no YouTube.

Munger qualificou como uma "loucura total" investir em bitcoins e acrescentou "que é absolutamente estúpido inclusive pensar nisto". Além disso, o investidor insistiu que a criptomoeda é "uma bolha louca, uma má ideia, que atrai gente que espera enriquecer facilmente sem compreender muito como funciona".

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