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Trump aumenta tensão comercial antes de decisão sobre tarifas a metais

27/05/2018 13h52

Alex Segura Lozano.

Washington, 27 mai (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentou nesta semana a tensão comercial internacional ao ameaçar impor tarifas à importação de automóveis, a poucos dias de tomar uma decisão sobre a isenção aos encargos sobre o aço e o alumínio no próximo dia 1º de junho.

Trump pediu ao secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, que averigue se é possível impor fortes encargos, possivelmente de até 25%, sobre as importações de automóveis por razões de segurança nacional.

A mera sugestão destas sanções protecionistas provocou uma reação imediata dentro do país e ao redor do globo, incluindo a de parceiros estratégicos de Washington como Canadá, México e União Europeia (UE), regiões que, por outro lado, estão negociando a isenção das polêmicas tarifas sobre o aço e o alumínio.

Na região europeia, a Alemanha, onde os automóveis representam 28,4% das exportações aos EUA, seria de longe o parceiro mais golpeado, mas outros fabricantes de carros também se veriam afetados, como Suécia (16%), Itália (12,8%) e Reino Unido (12%), segundo dados do Instituto de Viena para Estudos de Economia Internacional Comparada.

Por este motivo, a Comissão Europeia advertiu que a imposição de tarifas à importação de automóveis e suas peças violaria as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Canadá e México, por sua parte, que se encontram na parte final da renegociação do Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta) com os EUA, também consideraram "absurdo" este movimento de Trump.

Assim, com o anúncio da abertura de uma investigação do Departamento de Comércio sobre esta questão, Trump voltou a fazer cambalear o panorama comercial internacional, tal como fez quando comunicou em março sua intenção de impor uma tarifa extraordinária de 10% às importações de alumínio e de 25% para as de aço.

Até ao momento, Brasil, Argentina, Austrália e Coreia do Sul conseguiram isenções permanentes a estes encargos, embora suas exportações desses materiais aos EUA tenham cotas fixadas.

No entanto, o governo americano já advertiu que imporá os encargos a esses metais sobre a UE caso não se chegue a um acordo "razoável" antes de 1º de junho.

Por outro lado, Ross e Trump decidirão se prolongam a isenção ao México e ao Canadá "em função de" como vão as negociações do Nafta.

Neste contexto, os analistas enxergaram a ação de Trump como um movimento para aumentar a pressão sobre estas três regiões a poucos dias de decidir se lhes exime permanentemente das tarifas ao aço e ao alumínio e em plena reta final na renegociação do Nafta.

"Estas tarifas (às importações de veículos) foram avaliadas durante bastante tempo, o que me faz suspeitar que este vazamento à imprensa é para colocar pressão para fechar o Nafta e sobre outras regiões que querem isenções aos encargos ao aço e ao alumínio", opinou Dan Ujzco, da firma de advogados Dickinson Wright, em declarações ao jornal "The Washington Post".

Opinião parecido com a Ed Mills, da consultora financeira Raymond James, que disse em um comunicado que "grande parte" da investigação do Departamento de Comércio "está focada em poder fechar um pacto final sobre o Nafta".

Esta agressiva estratégia negociadora típica de Trump, que faz o mesmo em outros terrenos como na diplomacia com a Coreia do Norte ou nas negociações bilaterais com a China, foi amplamente criticada em mais de uma ocasião pelos setores liberais dos EUA.

No entanto, Trump considera que sua maneira de negociar com outros países, longe dos cânones da política ocidental do século XXI, é a melhor para conseguir que os objetivos de seu lema, "EUA em primeiro", sejam cumpridos o mais rápido possível.