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Robôs se tornam solução contra solidão de idosos chineses

20/06/2018 09h56

Paula Escalada Medrano.

Xangai (China), 20 jun (EFE).- Snow mede um metro, pesa 30 quilos, é gentil, carinhosa, surpreendente e, apesar de não ser de carne e osso, pode ser a fórmula contra um dos maiores dramas humanos, a solidão, um problema que atinge cada vez mais os idosos na China.

Fabricado pela Csjbot e de gênero feminino, Snow é um dos "robôs de companhia" que foram apresentados recentemente na feira CES, em Xangai, um dos maiores eventos tecnológicos da Ásia.

De acordo com os criadores, Snow é capaz de reconhecer as principais emoções humanas e adaptar seu comportamento ao humor da pessoa com quem fala.

"Pode reproduzir música, contar histórias, responder perguntas... Os idosos que moram sozinhos ou que estão em uma casa especial muitas vezes sentem falta dos filhos, que estão trabalhando ou moram longe. Os robôs podem ser uma companhia para a família, como seria um gato", explicou à Agência Efe Shirlin Na, diretora regional para Europa e Oceânica da companhia.

O preço deste robô, fabricado na China e com tecnologia do Japão, é US$ 12 mil, e ele já está disponível em cerca de 20 países, segundo Na.

Como outras partes do mundo, a China sofre com o crescente envelhecimento da população. O problema ficará ainda mais urgente nos próximos anos quando os resultados de quatro décadas da já extinta política do filho único foram ainda mais visíveis.

No final de 2017, o número de pessoas com 60 anos ou mais tinha alcançado 241 milhões na China, 17,3% da população. A estimativa é que em 2050 esse total chegue a 487 milhões, 34,9% da população.

"Nós não vendemos um aparelho, vendemos um companheiro com um coração. O nosso robô de acompanhamento cresce e evolui conforme você usa. Ele se acostuma aos seus hábitos, não é simplesmente uma máquina", argumentou à Efe Revathi, diretora de relações públicas da empresa de Singapura GT Robot Technology, participante na feira em Xangai.

O GT Wonder Boy é mais acessível do que Snow. Com US$ 1.900, o interessado pode comprar um robozinho de 23,8 centímetros, que, apesar de pequeno, também promete evoluir com o tempo e ficar personalizado.

"Tem funcionalidades especiais para a terceira idade. Sabe distrair, contar histórias e até estabelecer conversas e fazer exercícios para exercitar o cérebro", listou.

Além disso, pode ajudar com tarefas importantes, como tomar os remédios.

Um relatório publicado recentemente pela Academia de Ciências Sociais da China sobre as condições de vida das idosos no país indicou que cerca de 15,3% dos idosos precisa de mais atenção do que a recebida, um número que aumentou em 9% desde 2000.

De acordo com o estudo, os tipos de ajudas mais desejadas incluem visitas regulares ao médico, tarefas domésticas e assessoria psicológica. Algumas destas tarefas poderiam ser realizadas pelos robôs.

"O Wonder Boy é muito simples. O sistema de reconhecimento de voz é muito útil para as pessoas mais velhas, que muitas vezes têm problemas de visão e graças a ele podem fazer chamadas, agendamentos e compras", ressaltou Revathi.

Em sua opinião, o fato de um robô poder substituir os humanos em algumas tarefas não é ruim porque o objetivo é melhorar a vida das pessoas.

"A questão é usar a tecnologia de maneira inteligente, ter um equilíbrio", defendeu.

Os robôs estão começando a ser utilizados também em casas de repouso, entre elas uma da cidade de Hangzhou, onde A-Tai trabalha para ajudar os cuidadores e entretém os mais de 1.300 moradores de lá.

A-Tai é extremamente treinada e pode inclusive cantar ópera tradicional chinesa, a música favorita entre muitos idosos, e telefonar para familiares dos residentes.

Embora ainda seja limitado o uso de robôs no mundo, na China é cada vez mais comum e muitos dos especialistas participantes da CES concordaram que é uma questão de tempo até que estes se integrem definitivamente à sociedade.

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