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Morre Marchionne, ex-CEO de FCA que tirou a Fiat da crise

25/07/2018 09h18

Roma, 25 jul (EFE).- O ex-CEO da Fiat Chrysler Automobiles (FCA), Sergio Marchionne, morreu nesta quarta-feira em uma clínica na Suíça aos 66 anos, após 14 na sociedade da família Agnelli, nos quais conseguiu tirar a Fiat de uma forte crise e relançou também o grupo Ferrari.

"Aconteceu, infelizmente, o que nos temíamos: Sergio, o homem, o amigo, se foi", anunciou o presidente da FCA, John Elkann, em uma nota.

O executivo tinha sido operado no ombro há algumas semanas, mas algumas complicações após a operação fizeram com que seu estado ficasse irreversível, segundo informaram alguns veículos de imprensa.

A família tinha pedido discrição e nunca ofereceu informações sobre o estado de saúde de Marchionne.

Seu grave estado fez com que FCA e Ferrari tivessem que escolher seus sucessores antecipadamente em um conselho de administração reunido de maneira urgente no último sábado.

Marchionne tinha anunciado sua saída da FCA para o ano que vem e da Ferrari em 2021.

"Penso que a melhor forma de homenagear sua memória é guardar como um tesouro o exemplo que ele deixou, cultivar os valores de humanidade, responsabilidade e abertura mental dos quais ele sempre foi um incentivador", acrescentou na nota Elkann, presidente da FCA e da Ferrari.

A história de Marchionne na Fiat começou em 2003, quando Umberto Agnelli o chamou para fazer parte do conselho de administração da companhia, mesmo sem ter qualquer experiência em automóveis e com um histórico no setor de seguros.

Em 14 anos, Marchionne conseguiu tirar a Fiat da crise e transformá-la em uma "sociedade sólida e com um futuro brilhante", como ele mesmo afirmou em junho deste ano ao anunciar seu plano industrial para 2022 e 45 bilhões de euros em investimentos.

Marchionne foi um visionário e um dos responsáveis pela fusão com o grupo americano Chrysler em 2009. Os números de sua era dizem tudo: o faturamento passou de 47 bilhões de euros em 2004 para 141 bilhões no ano passado, e o prejuízo de 1,5 bilhão de euros de 2004 passou para um lucro líquido de 4,4 bilhões em 2007.

O executivo também soube relançar as marcas do grupo americano como a Jeep, que ele considerava um dos "carros-chefes" da companhia, e transformou a Ferrari, uma sociedade que não crescia e com uma escuderia de Fórmula 1 em crise total, novamente na joia da coroa da família Agnelli, após adquirir 90% das ações que estavam nas mãos de bancos e investidores e criar uma sociedade separada de Fiat com cotação na Bolsa.

Os resultados de Ferrari no primeiro trimestre de 2018 registraram um aumento dos lucros de 19,4% em relação ao mesmo período do ano passado e um faturamento de 3,4 bilhões de euros.

O novo executivo-chefe da FCA é Mike Manley, de 54 anos, nascido em Edenbridge, no Reino Unido, responsável pela marca Jeep desde 2009 e chefe de operações do grupo na América do Norte desde 2015.

O novo executivo-chefe da Ferrari será Louis Camilleri e seu presidente, John Elkann.