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Pequim se reinventa transformando antigas fábricas em centros culturais

13/10/2018 10h24

Diego Merino.

Pequim, 13 out (EFE).- Pequim se reinventou durante a última década ao transformar as antigas fábricas da cidade, especialmente no distrito de Chaoyang, em centros culturais como parte da política de sustentabilidade feita pelo governo da China.

Sob essa iniciativa, as antigas fábricas com pouca produtividade e alto nível de poluição foram forçadas a se mudar para a periferia da capital chinesa.

O governo, para não desperdiçar os lotes abandonados, decidiu realizar um projeto que transforma esses espaços em zonas de inovação cultural, abrigando todos os tipos de estabelecimentos.

Uma das mais representativas é uma antiga fábrica de equipamentos médicos, localizada em Chaoyang, uma grande região industrial há 50 anos que possui uma área de 23 mil m², 21 edifícios com mais de 4 mil funcionários e 50 empresas estabelecidas no local.

Já na entrada, um enorme cartaz, que faz referência a essa reconversão da região, dá as boas-vindas procurando manter essa memória histórica da indústria da capital.

No interior, empresas diferentes se sucedem. Por um lado, uma grande sala serve para receber espetáculos distintos, desde cinema a teatro, e por outro, uma biblioteca e uma cafeteria cheia de gente lendo e tomando café dão um toque mais relaxante para a área.

Além disso, vários departamentos vizinhos e separados por telas fazem as funções de escritórios, alugados a um preço de 4 mil iuanes (cerca de R$ 2.200) mensais, com mobília, luz, água e comida inclusas.

Outra antiga fábrica de destaque na região, que anteriormente era uma indústria têxtil, é composta por 30 edifícios que atualmente abrigam empresas de publicidade, comunicação e galerias de arte, tudo isso cercado de zonas verdes, nas quais é possível encontrar até mesmo pomares.

Entre as diversas galerias de arte está o estúdio de Wang Kaifang, um arquiteto nascido e criado em Pequim que, além de se dedicar ao planejamento urbano, projeta esculturas e figuras.

"Sou um dos primeiros empreendedores instalados aqui, me beneficiei muito com esse parque industrial", explica Wang, enquanto mostrava suas obras nos mais de 30 anos de carreira.

Ele se referiu ao conjunto de complexos industriais, que historicamente era uma fábrica de gás e, desde 2009, virou um museu, sala de exposições e centro de operações de todo o projeto de inovação cultural.

Uma nave com paredes dos anos 1980 recebe o que eles chamam de "salão do futuro", onde é destacado o claro contraste entre a antiguidade do edifício e a mais recente tecnologia da era moderna.

Em uma das instalações dessa nave estão duas telas gigantes com a última tecnologia digital, que mostram o desenvolvimento da cidade e de algum dos seus edifícios mais emblemáticos.

Através delas, você tem acesso a um mapa tridimensional mostrando, entre outros, o distrito de Chaoyang, com uma superfície de mais 460 km² e uma população que chega a 3,5 milhões de habitantes.

"O objetivo é reestruturar fábricas industriais e alcançar um desenvolvimento sustentável", explicou o diretor do museu de arte e planejamento de Chaoyang, Yang Jun.

"Em resumo, nossa ideia é contar as histórias do desenvolvimento da modernidade combinada com as casas antigas", acrescentou Yang, ao se referir à memória.

Durante esta década, uma reestruturação de 2 milhões de m² foi alcançada, sendo que 2009 e 2011 foram os anos de maior impacto e transformação dessas zonas, nas quais houve um aumento de mais de 1,6 mil empresas na região.

Tudo isso ocorre dentro do 60º aniversário da criação de Chaoyang, distrito com uma indústria muito desenvolvida, especialmente em cinco setores: automotivo, eletrônico, têxtil, maquinário e químico.

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