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Empresários e governantes abordam futuro da economia em fórum de Dubai

10/02/2019 16h34

Dubai, 10 fev (EFE).- A Cúpula Mundial de Governo, realizada em Dubai e da qual participam mais de 4.000 representantes dos negócios, da cultura e da política de 140 países, abordou neste domingo a paz, o desenvolvimento e a economia do presente e do futuro.

A conferência, organizada anualmente pelo governo de Dubai, reuniu hoje personalidades como a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, vários chefes de Estado e vencedores do Prêmio Nobel.

No principal discurso na sessão inaugural, Lagarde advertiu que a economia mundial está crescendo mais devagar do que o previsto devido a diversos fatores.

Entre outros motivos, Lagarde citou as tensões comerciais e os aumentos de impostos, as restrições financeiras, a incerteza sobre o Brexit e a desaceleração da economia chinesa.

No seu discurso, a diretora-gerente do FMI expôs sua visão sobre o futuro da economia mundial, que, segundo ressaltou, se encontra em um momento de "transformação".

Lagarde afirmou que muitos postos de trabalho mudarão "radicalmente" em consequência da globalização e das novas tecnologias e antecipou que "muitos empregos serão adaptados à inteligência artificial".

A dirigente do FMI também aproveitou seu discurso para fazer um chamado a todos os países contra a corrupção, salientando que "gera desconfiança e freia o crescimento da economia".

Menos convencido dos efeitos da tecnologia na organização do trabalho se mostrou o Nobel de Economia Paul Krugman.

O economista americano destacou que a tecnologia mudou muito nos últimos 25 anos, mas que isso não representou uma grande variação na forma como se trabalha, razão pela qual, segundo sua opinião, "esta não é uma era transformadora revolucionária" e a esperada mudança nos processos de trabalho "não é tão grande como se anunciava".

O papa Francisco, que realizou uma viagem recente aos Emirados Árabes, participou da cúpula através de uma mensagem enviada aos participantes do fórum lembrando-lhes que "não se pode falar de desenvolvimento sustentável sem solidariedade".

Através de um vídeo, o pontífice pediu que, ao abordar "temas fundamentais" como os desafios da política ou o desenvolvimento da economia, não só se pergunte "quais são as melhores oportunidades que aproveitar, mas que tipo de mundo queremos construir juntos".

"Não se pode falar de desenvolvimento sustentável sem solidariedade. Poderíamos inclusive dizer que o bem, se não for comum, não é um bem verdadeiro. Talvez agora mais que nunca pensar e atuar necessitem de um diálogo real com o outro, porque sem o outro não há futuro para o meu", frisou Francisco.

A paz e o conflito também fizeram parte dos temas de debate deste fórum.

O ex-presidente colombiano Juan Manuel Santos abordou o processo de paz que liderou no seu país em um painel sobre o tema salientando que teve que tratar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) "como adversários, não como inimigos".

"O mais importante é convencer a outra parte, especialmente os comandantes, que para eles pessoalmente é melhor negociar a paz que continuar na guerra", disse.

Alguns chefes de governo aproveitaram para chamar a atenção para seus países no fórum. Nesse sentido, o primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, apelou aos investidores estrangeiros para que apostem em seu país, em um momento no qual o governo empreendeu uma série de reformas que, segundo admitiu, são "dolorosas".

"É o momento para que os investidores venham ao Paquistão. Não esqueçam estas palavras", disse Khan às centenas de pessoas presentes na reunião, entre eles vários diretores de empresas multinacionais.

A conferência, organizada anualmente pelas autoridades de Dubai desde 2012, se encerrará na próxima terça-feira e conta com a participação de cerca de 4.000 pessoas de 140 países, incluindo chefes de Estado, ministros e empresários que se reúnem com o objetivo de debater o futuro dos governos. EFE