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Acionistas da Nissan aprovam destituição de Ghosn como conselheiro

08/04/2019 10h33

Tóquio, 8 abr (EFE).- A junta de acionistas da Nissan Motor aprovou nesta segunda-feira, por maioria, a destituição do ex-presidente Carlos Ghosn como conselheiro da companhia, cortando toda relação de trabalho com o empresário franco-brasileiro que liderou o conglomerado durante duas décadas.

Além da destituição de Ghosn, foi aprovada hoje a retirada como conselheiro de Greg Kelly, ex-diretor próximo a Ghosn e que é considerado peça-chave na realização das irregularidades financeiras que custaram o cargo ao ex-executivo franco-brasileiro, assim como a inclusão no conselho administrativo do presidente da Renault, Jean-Dominique Senard.

A Nissan destituiu Ghosn como presidente em 22 de novembro de 2018, três dias depois que ele foi detido em Tóquio por suposta fraude fiscal. O empresário, no entanto, continuava fazendo parte do Conselho de Administração até a ratificação da decisão desta segunda-feira.

A decisão foi anunciada pelo diretor-executivo da Nissan, Hiroto Saikawa, em uma junta extraordinária de acionistas realizada em Tóquio que durou aproximadamente três horas e foi transmitida ao vivo pela companhia na internet.

Durante a reunião, na qual falaram mais de 20 acionistas, foram abordadas diferentes questões: desde as irregularidades financeiras de Ghosn em si, até o papel desempenhado pelos membros atuais da junta e seu futuro.

Nesse sentido, Saikawa manifestou sua intenção de continuar à frente da companhia para "minimizar a incerteza na empresa e o efeito na Aliança" Nissan-Renault-Mitsubishi Motors, e não considerar sua saída até recuperar "a estabilidade".

O executivo disse que o prejuízo causado por Ghosn "é grande" e não será solucionado da noite para o dia, e revelou que a Nissan está considerando processar o ex-presidente em busca de uma compensação.

Ao ser perguntado sobre se a empresa tem intenção de pagar a aposentadoria de Ghosn, Saikawa declarou: "Não queremos pagar. Agora temos que ver o que podemos fazer judicialmente".

A Renault decidiu na semana passada retirar de Ghosn o grosso de seus direitos de aposentadoria, após considerar que ele realizou "práticas contestáveis" à frente da companhia, descobertas durante a investigação interna aberta por conta dos inquéritos japoneses. EFE