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Argentina suspende "tarifazos" e lança pacote de medidas para frear inflação

17/04/2019 15h37

Buenos Aires, 17 abr (EFE).- O governo da Argentina lançou nesta quarta-feira um pacote de medidas, como a suspensão dos chamados "tarifazos" na eletricidade, no gás e no transporte, além do congelamento dos preços de diversos produtos, para conter a alta inflação e atenuar os efeitos da recessão iniciada em 2018.

O Executivo de Mauricio Macri estabeleceu um acordo com 16 empresas para que 60 produtos básicos mantenham seus preços durante pelo menos seis meses, segundo informaram fontes oficiais nesta quarta-feira, a fim de enfrentar a escalada do índice de preços ao consumidor, que no último mês de março chegou a 54,7% no cálculo anual.

A expectativa é que, ao longo do dia, Macri e outros membros do governo detalhem à imprensa as medidas, que incluem anular para as famílias, até o final de 2019, os polêmicos aumentos que o Executivo impulsiona nas faturas dos serviços públicos.

Concretamente, na eletricidade, os dois aumentos que tinham sido anunciados para o resto de 2019 serão absorvidos pelo Estado; no gás, as altas aplicadas desde abril e escalonadas em três meses (10% em abril, 9% em maio e 8% em junho) serão as últimas do ano, enquanto, durante os meses de inverno, haverá um desconto de 22% no preço do gás, que os usuários pagarão nas contas dos meses de verão, os de menor consumo.

Também não haverá mais aumentos nas passagens de ônibus e trens metropolitanos pelo restante do ano, nem nos pedágios.

O documento divulgado hoje destaca que estes anúncios se referem apenas às taxas de eletricidade, gás e transporte que dependem do Governo Nacional, e não às que dependem das províncias ou dos municípios.

Por outro lado, entre os acordos, se destaca o alcançado com as empresas de carne, que concordaram em vender 120.000 quilos por semana de asado, vacío e matambre (produtos muito consumidos na Argentina) a 149 pesos o quilo (cerca de R$ 14 no câmbio de hoje) na feira de varejo do Mercado Central.

Os anúncios incluem outros benefícios sociais e para as pequenas e médias empresas, a aprovação de um novo regime de Lealdade Comercial para evitar "abusos de posições dominantes ou possíveis condutas monopólicas de grandes empresas" e outras medidas, como a ampliação dos créditos outorgados pela Administração Nacional da Seguridade Social.

As medidas são tomadas no meio de um ano-chave para o país, devido à difícil situação econômica, marcada pela desvalorização do peso, a inflação e a queda na atividade econômica , e a apenas seis meses da realização de eleições presidenciais. EFE