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Indígenas pedem água por rio contaminado após vazamento na Amazônia peruana

23/06/2019 14h41

Lima, 23 jun (EFE).- A comunidade indígena de Saramiriza, na Amazônia do Peru, pediu neste domingo ao governo que envie água com urgência, diante contaminação de um rio da região causada por um vazamento de petróleo procedente do Oleoduto Norperuano.

Em entrevista à Agência Efe, o dirigente William Patiwuan declarou que na sua comunidade, que reúne cerca de 5 mil habitantes da região Loreto, todos estão "muito preocupados", já que vivem a apenas um quilômetro da foz no rio Marañón, afetado pelo vazamento.

"Estamos há quatro dias sem água e pedimos ajuda porque é iminente o que vamos enfrentar. Sabemos que o petróleo é algo que pode durar meses ou anos no corpo", afirmou.

Patiwuan disse que "a população inteira está recolhendo água" de antigos poços que também podem ter sido contaminados e informou que um representante da Presidência do Conselho de Ministros (PCM) visitou a região e disse que tinha "que ter problemas de contaminação direta para tomar decisões".

"Necessitamos de água, não estamos pedindo outra coisa", sustentou, antes de acrescentar que ninguém da companhia petrolífera estatal Petroperú até o momento foi visitá-los, apesar de vazamento ter ocorrido na altura da comunidade nativa de Progreso em um "grande curso de água que desemboca no rio Marañón".

A Petroperú informou na quarta-feira que tinha detectado um novo vazamento de petróleo do oleoduto ocorrido por "um ato criminoso" e alertou que os habitantes da região impediam a passagem dos responsáveis pelos trabalhos de limpeza e reparação.

No dia seguinte, a empresa anunciou que já tinha concluído a instalação de um grampo no oleoduto "graças ao apoio das autoridades competentes, que chegaram a um acordo com os habitantes da comunidade nativa Progresso para que fosse permitida passagem dos funcionários enviados para os trabalhos de contenção".

"Com isso, foi possível deter o vazamento de petróleo provocado por um ato criminoso e reiniciar as operações do Oleoduto Ramal Norte. Agora nos dedicaremos aos trabalhos de limpeza e remediação da região", indicou.

No entanto, Patiwuan afirmou à Efe que "é mentira" que os nativos tenham tido alguma participação na ruptura do encanamento e disse que esta se encontra a grande profundidade.

"Dizem que foi provocado, é mentira, o tubo está a dois metros sob terra e está brotando desde aí o petróleo, os irmãos (da comunidade) Awajún e nós descartamos essa possibilidade", enfatizou.

Patiwuan acrescentou que a comunidade fez este chamado diretamente ao presidente do Peru, Martín Vizcarra, a quem pediu que visite a região, já que diante destas emergências "a ajuda do Estado deve ser imediata".

O dirigente alertou que além de Saramiriza, que é uma capital de distrito, a "ameaça por um iminente problema de contaminação" também se instaurou sobre outros pequenos povos como Progresso, Atlántida, Gasolina e Puerto Elisa.EFE