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Governo do Paraguai tem nova renúncia após acordo com Brasil sobre Itaipu

31/07/2019 15h18

Assunção, 31 jul (EFE).- A secretária de Prevenção de Lavagem de Dinheiro ou Bens do Paraguai (Seprelad), María Epifania González, renunciou ao cargo nesta quarta-feira, o que representa o quinto pedido de demissão de um ocupante de um posto de alto escalão no país na mesma semana, todos relacionados a um polêmico acordo secreto feito em maio com o Brasil sobre a usina hidrelétrica de Itaipu.

María Epifania renunciou após ser divulgada pela imprensa paraguaia a notícia de que seu filho, José Rodríguez González, teria interferido em uma reunião com empresários brasileiros para que fosse retirado do acordo uma cláusula que dizia que o Paraguai poderia comercializar livremente sua energia excedente. Com isso, segundo opositores do governo do presidente Mario Abdo Benítez, teria agido contra os interesses nacionais.

A agora ex-secretária da Seprelad alegou ao à emissora de rádio "Primero de Marzo", de Assunção, que deixou o cargo para dar apoio ao filho.

"Não tinha ideia disso, acredito que por trás há muitas mentiras. Dei minha vida à Seprelad, e agora preciso dar minha vida a meu filho", declarou.

"Acordei com essa notícia, e a Seprelad precisa de alguém que se dedique em tempo integral. Neste momento, não me sinto em condições de dar todo o meu tempo", acrescentou.

Rodríguez participou da reunião, de acordo com o jornal "ABC Color", como assessor jurídico do vice-presidente do país, Hugo Veláquez, embora não tivesse sido nomeado oficialmente para este fim. Essas informação coincide com a declaração dada ontem pelo ex-presidente da Ande, Pedro Ferreira, de que uma pessoa cuja identidade não foi revelada por ele teria instruído os negociadores paraguaios a tirar esse ponto do documento.

Ferreira renunciou ao cargo na semana passada ao se opor a esse pacto, que denunciou que tinha sido realizado por representantes do Ministério das Relações Exteriores do Paraguai e sem participação de técnicos da Ande nas negociações.

Ainda segundo Ferreira, o acordo em questão foi assinado em Brasília em maio. Com isso, a oposição acusou o governo de Abdo Benítez de traição, alegando que se trata de uma entrega de soberania ao Brasil.

O acordo provocou a primeira grande crise política do presidente paraguaio em seu primeiro ano de mandato e foi suspenso pelo governo no domingo.

Na última segunda-feira, a crise ganhou novos contornos com as demissões do chanceler Luis Alberto Castiglioni e do embaixador do Paraguai no Brasil, Hugo Saguier, que havia liderado as negociações em Brasília. No mesmo dia também apresentaram renúncia o diretor do lado paraguaio da hidrelétrica de Itaipu, José Alberto Alderete, e Alcides Jiménez, que havia substituído Ferreira à frente da Ande. EFE