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Inclusão, segurança e inovação: novas tendências na indústria de pagamentos

04/12/2019 19h53

Celeste Rodas de Juárez.

Miami Beach (EUA), 4 dez (EFE).- Atingir aqueles que não foram atendidos pelo comércio eletrônico e torná-lo cada vez mais seguro e inovador são as três "forças motrizes da transformação" no mercado financeiro da América Latina, segundo o presidente da Mastercard para a América Latina e o Caribe, Carlo Enrico.

Em Miami Beach, Enrico participou do fórum de inovação Mastercard 2019, que neste ano tem como tema "The Age of Acceleration" ("A Idade da Aceleração" em tradução livre). O evento, encerrado nesta quarta-feira, analisou as principais tendências que estão definindo a indústria do e-commerce na América Latina.

O tema da inclusão surgiu em várias das apresentações não só como uma prioridade no setor de pagamentos, mas também como uma responsabilidade social.

Em entrevista à Agência Efe, Enrico explicou a razão de a inclusão ser uma das prioridades de sua empresa: "Em uma era de aceleração tecnológica, com tantas mudanças, toda empresa quer e deveria ter não só o melhor produto e a melhor solução, como também precisa ter um impacto positivo na sociedade".

Para atingir esse objetivo, a tecnologia de produtos financeiros deve ser inclusiva desde a concepção. "E na indústria de pagamentos isso significa que devemos ter produtos projetados para oferecer a oportunidade de incluir os menos atendidos", disse Enrico.

O executivo afirmou ainda que a indústria não pode deixar sem atenção os 200 milhões de latino-americanos e caribenhos que não têm a oportunidade de acessar os bancos.

"Não só representa uma oportunidade de negócio, deve ser uma responsabilidade social para a Mastercard e para a indústria como um todo", enfatizou.

Nos últimos cinco anos, a Mastercard incluiu no sistema financeiro 500 milhões de consumidores em todo o mundo, dos quais quase 80 milhões são da América Latina.

A empresa está começando a colaborar com cafeicultores e floricultores, que geralmente trabalham apenas por uma temporada e recebem seus pagamentos em dinheiro.

"O que estamos fazendo é criar um ecossistema tecnológico no qual o empregador pode pagar aos funcionários temporários por meio de um telefone celular para que o dinheiro flua para um cartão pré-pago, para que eles possam realmente receber o valor certo de seu salário, que pode ser rastreado e depois usado eletronicamente", explicou.

Outra das principais tendências que foram destacadas neste encontro foi a segurança das transações eletrônicas, já que, à medida em que o mundo se move do físico para o digital, os usuários precisam estar confiantes de que a integridade de suas informações está nas mãos certas.

Para alcançar essa confiança, a Mastercard informou que está implementando tecnologias inovadoras. Um exemplo é uma que permite que, através do movimento do telefone ou da forma como o teclado é pressionado ou o telefone é inclinado, se possa entender se a pessoa que o usa é realmente a dona do aparelho, o que ajuda a reduzir a probabilidade de ações fraudulentas.

Outra tecnologia inovadora para escalar os sistemas de pagamento do futuro e garantir sua segurança: a tokenização. Isto protege os dados do utilizador, substituindo-os por um número alternativo ("token"), que consiste em 16 dígitos que emulam o número real do cartão e que só podem ser utilizados uma vez.

Quanto à outra força analisada neste encontro, a da inovação, os especialistas presentes disseram que os sistemas de pagamento do futuro devem incluir tecnologias que os ajudem a "escalar", ou seja, que os produtos financeiros sejam acessíveis ao maior número possível de pessoas.

E essa inovação deve ser compartilhada. "Qualquer coisa que seja uma nova solução social deve estar imediatamente disponível globalmente. Portanto, o que estamos fazendo é projetar um conjunto de aplicativos para que todos no mundo possam acessar nossas soluções de onde quer que estejam", afirmou Enrico.

O evento, do qual participaram 1.400 pessoas de América Latina, Caribe, Ásia e Europa, teve o nome escolhido com base na profunda transformação do físico para o digital, da inclusão financeira para o comércio digital e global que está ocorrendo principalmente na América Latina.

"Aceleração é o que está acontecendo na América Latina, não só o mundo está mudando rapidamente, como tudo nessa região está acontecendo ao mesmo tempo", concluiu Enrico. EFE