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Apesar de crise, governo de Cuba projeta leve crescimento da economia em 2019

17/12/2019 16h59

Havana, 17 dez (EFE).- O governo de Cuba afirmou nesta terça-feira que a economia do país deve fechar um ano com um ligeiro crescimento, valor muito diferente do 1,5% previsto inicialmente, devido ao endurecimento do embargo dos Estados Unidos, a crise na Venezuela e a lentidão em aprovar reformas.

Em relatório apresentado à Comissão de Assuntos Econômicos da Assembleia Nacional de Cuba, o ministro de Economia, Alejandro Gil, destacou que o país enfrentou um ano complexo, devido às incertezas econômicas mundiais e as novas medidas adotadas pela Casa Branca contra o governo de Miguel Díaz-Canel.

CRESCIMENTO EM RISCO

A sessão, que contou com a presença de Díaz-Canel, não pôde ser acompanhada pela imprensa estrangeira. Segundo a agência estatal "Prensa Latina", o ministro da Economia destacou o fato de a economia da ilha estar enfrentando "restrições adicionais" ao fornecimento de combustíveis desde abril, uma consequência do que o ministro considera como uma "perseguição do governo norte-americano".

O endurecimento do embargo se une à séria crise enfrentada pela Venezuela, principal aliado político da ilha, que, desde a ascensão do chavismo, vende petróleo a preços subsidiados a Cuba.

O país também perdeu lucrativos contratos de serviços médicos com outros governos da região, caso do Brasil, que suspendeu a participação de cubanos no Programa Mais Médicos após a chegada de Jair Bolsonaro ao poder, e do Equador.

O ministro não informou estimativas do próprio governo local para o crescimento do país em 2019, mas citou as projeções da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), que calcula uma expansão de 0,5% para o Produto Interno Bruto (PIB) cubano.

No ano passado, a economia de Cuba se expandiu 1,2%, segundo o governo da ilha. No entanto, os indicadores econômicos do país não são auditados por organizações internacionais.

Apesar das dificuldades enfrentadas neste ano, Gil destacou que Díaz-Canel não recorreu a medidas neoliberais, como o aumento de preços e a aplicação de cortes nos orçamentos de educação e saúde, para amenizar a crise.

O caminho adotado foi o oposto, com reajustes para o setor público e a concessão de autorizações para que algumas lojas vendam produtos em divisa estrangeira em Havana. A medida visava frear a fuga de capitais para outros países.

DESAFIOS PARA 2020

"Em 2020 é essencial defender a indústria nacional, diminuir as importações e aumentar as exportações", alertou o ministro de Economia de Cuba durante a sessão na Assembleia Nacional.

O país também precisará poupar energia e promover o uso eficiente de recursos para ter um ano mais tranquilo que 2019. EFE