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Borrell pede que acordo da UE com Mercosul não seja "atirado pela janela"

28/01/2021 13h43

Bruxelas, 28 jan (EFE).- O Alto Representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Josep Borrell, defendeu nesta quinta-feira que o acordo comercial e de associação com o Mercosul não seja "atirado pela janela" e pediu um esforço de aproximação para superar os obstáculos existentes.

" Atualmente, existem temores bem fundamentados de que alguns países (europeus) não estariam em condições de ratificar este pacto e, que nem mesmo o Parlamento Europeu, estaria em condições de o ratificá-lo", admitiu o diplomata espanhol, em entrevista à veículos de imprensa da América Latina.

A UE e o Mercosul firmaram um acordo em 2019, após duas décadas de negociações, mas para que o texto entre em vigor, precisa ser aprovado pelos governos dos 27 países do bloco europeu e por seus parlamentos nacionais, inclusive, em alguns casos, também pelos regionais.

"Uma coisa são os acordos, outra coisa é a aprovação por quem tem a última palavra. Na Europa, temos alguma experiência e acordo que os governos assinam, e os parlamentos rechaçam", alertou Borrell.

O Alto Representante da UE, que se reuniu nesta quarta-feira com o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, destacou o potencial de Portugal para desbloquear o diálogo, por causa dos laços culturais e econômicos com a antiga colônia.

"A presidência portuguesa pode influenciar muito, para que seja impulsionado o acordo. Sei que tem, como é lógico, um especial interesse, muito interesse. É uma coisa boa que tenhamos Portugal como presidente do Conselho (Europeu)", afirmou Borrell.

Na reunião com Ernesto Araújo, o diplomata espanhol pediu que sejam reforçadas nas áreas que constam em cláusulas do acordo, sobre sustentabilidade, e disse ter encontrado "boa disposição de tentar ver de que maneira podem ser superadas essas reticências".

Além da Eurocâmara, o Parlamento Europeu, a ratificação do acordo com o Mercosul está paralisada por países como França, Bélgica, Holanda e Áustria, que pedem um aumento nos controles ambientais, já que se preocupam com o desmatamento da região amazônica.

Borrell sugeriu que sejam feitas declarações políticas que complementem o acordo, em assuntos como meio-ambiente, luta contra a mudança climática, o que classificou como algumas das "diferentes soluções" para desbloquear o impasse existente.

Outra opção, defendida por algumas correntes, é de que o acordo seja dividido em dois, um de cooperação política, que precisa de ratificação parlamentar, e um comercial, que não precisaria do sinal verde dos parlamentos nacionais.

O segundo é desaconselhado por Borrell, que já presidiu a Eurocâmara, por considerar que tiraria desta instância a capacidade de se pronunciar sobre o texto como um todo.

"É melhor ter esse acordo, do que não ter nenhum", admitiu o espanhol, que pediu a apresentação de um texto definitivo, que seja aceito por todos.

"Vale mais esperar um pouco mais e conseguir esse acordo, se hoje, isso não acontecer" completou.

Borrell, recomendou "um esforço para tentar aproximar posições, para que se veja quais são os problemas e quais podem ser as soluções correspondentes às legítimas preocupações de alguns, sem minar os interesses de outros", disse, citando questões ambientais, mas também de competitividade e agrícolas.

O alto representante da UE destacou o acordo com o Mercosul como um dos "mais completos e importantes" alcançados pelo bloco e clamou por esforço que garanta a presença europeia na América Latina, onde a China hoje é o segundo parceiro comercial mais importante, atrás apenas dos Estados Unidos.

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