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OMC convoca integrantes para definir nova direção-geral

09/02/2021 21h49

Genebra, 9 fev (EFE).- A Organização Mundial do Comércio (OMC) convocou nesta terça-feira os seus 164 Estados membros para uma reunião na próxima segunda para eleger o próximo diretor-geral, responsabilidade que - a menos que ocorra uma crise de última hora - recairá sobre a ex-ministra de Finanças da Nigéria Ngozi Okonjo-Iweala.

O processo de seleção para o substituto do brasileiro Roberto Azevêdo está paralisado desde outubro devido ao bloqueio dos Estados Unidos, que durante o governo de Donald Trump, encerrado no último dia 20, se recusou a endossar a eleição de Okonjo-Iweala, cuja candidatura foi a que gerou mais consenso entre os países.

A outra finalista na corrida - embora muito atrás da candidata africana - foi a Ministra do Comércio da Coreia do Sul, Yoo Myung-hee. Contudo, ela anunciou na semana passada a retirada da candidatura. Embora houvesse apoio maciço à tecnocrata africana, os EUA vinham insistindo no apoio à economista asiática. Outros seis candidatos haviam desistido no início do processo quando ficou claro que não teriam apoio suficiente.

A mudança de governo nos Estados Unidos aumenta as esperanças de que a delegação americana na OMC levante seu veto, apoie Okongo-Iweala e, assim, permita que a organização saia do marasmo em que se encontra devido à falta de liderança.

A entidade era um alvo favorito de Trump, que durante seu mandato iniciou uma guerra comercial com a China e implementou medidas protecionistas que afetaram muitos países, incluindo seus parceiros europeus.

A organização, cujo papel é assegurar o cumprimento das regras internacionais que regem o comércio entre países e autorizar sanções comerciais entre Estados em caso de violação das mesmas, representou um obstáculo às políticas do ex-chefe de governo dos EUA.

Durante os meses sem um diretor-geral, seus negócios diários vêm sendo tratados pelos quatro vice-diretores, que deveriam tratar de assuntos estritamente administrativos até a eleição do novo chefe. Porém, o governo de Joe Biden ainda não anunciou sua posição a respeito.

Okongo-Iweala, que ocupou vários cargos em grandes organizações internacionais e também tem cidadania americana, seria a primeira mulher e a primeira representante da África a dirigir a OMC nos 26 anos de existência da entidade.

A necessidade de eleger um novo diretor foi precipitada pela decisão surpresa de Azevêdo de renunciar um ano antes do final de seu mandato, depois de ter sido tentado a assumir um cargo importante na empresa multinacional PepsiCo.