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Mercosul completa 30 anos em meio a discussões sobre abertura comercial

27/03/2021 01h54

Rodrigo García.

Buenos Aires, 26 mar (EFE).- Os presidentes de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, países fundadores do Mercosul, assim como Chile e Bolívia, que são associados, celebraram o 30º aniversário do bloco nesta sexta-feira em um evento virtual no qual foram evidentes as diferenças sobre a estratégia conjunta de abertura comercial.

A cerimônia, que durou pouco mais de uma hora, reuniu, além de Jair Bolsonaro, o argentino Alberto Fernández como anfitrião - por exercer a presidência rotativa semestral do bloco -, o paraguaio Mario Abdo Benítez, o uruguaio Luis Lacalle Pou, o chileno Sebastián Piñera e o boliviano Luis Arce, cujo país está em vias de se tornar um membro pleno do grupo.

Embora a reunião tenha sido convocada para comemorar em harmonia o aniversário da assinatura do Tratado de Assunção que criou o Mercado Comum do Sul (Mercosul), os discursos incluíram posições desencontradas sobre o futuro do bloco, especialmente sobre sua flexibilidade comercial.

"FARDO".

"O que ele (Mercosul) não pode ser e não deve ser é um fardo. Não estamos dispostos a que seja um espartilho no qual nosso país não consiga se mover", disse Lacalle Pou.

E quando o evento estava prestes a terminar, Fernández, em suas palavras de despedida, assim se pronunciou: "o que enfatizei é que pusemos um fim a estas ideias que ajudam tão pouco a união em um momento em que a união é tão importante para nós. Não queremos ser o fardo de ninguém. Se somos um fardo, que peguem outro barco", afirmou.

Antes, Bolsonaro, que tem fortes diferenças políticas com Fernández, havia feito um apelo para a "modernização" do bloco, atualizando as tarifas externas e para que os países pudessem negociar livremente seus próprios acordos comerciais.

Por sua vez, Abdo Benítez disse considerar que o projeto atual do processo de integração exige que as negociações externas sejam realizadas de forma conjunta e coordenada, mas que não deve ser uma barreira para o desenvolvimento das economias.

"Seria muito difícil ter uma visão idêntica sobre prazos e prioridades de nossa agenda externa, portanto é necessário partir de uma visão pragmática que nos permita chegar a um acordo sobre uma agenda comum que transcenda as urgências políticas e estabeleça prioridades", afirmou Fernández.

POSIÇÕES CONFLITANTES.

O Mercosul, que é a quinta maior economia do mundo, promove a livre circulação de bens e serviços entre países, o estabelecimento de uma tarifa externa comum e a adoção de uma política comercial conjunta com países de fora do bloco. Mas várias vozes alegam que o Mercosul está paralisado parcialmente por causa de disputas internas entre seus membros.

"Temos que avançar nas negociações com outros blocos. Não estamos satisfeitos", ressaltou Lacalle Pou, fazendo referência ao acordo comercial assinado em 2019 com a União Europeia, para cuja implementação ainda existe um "caminho a percorrer que gera algum ceticismo".

Enquanto Brasil e Uruguai reivindicam um bloco menos protecionista, com uma tarifa externa mais baixa e mais aberto a acordos com outros mercados, a Argentina está implantando no país uma política mais focada na restrição das importações para fortalecer a indústria local.

"Não acreditamos que uma redução da tarifa externa comum, parcial e linear para todo o universo tarifário seja o melhor instrumento diante da possibilidade de novos acordos com outros países", disse Fernández.

A Argentina destacou que o Mercosul não é um bloco fechado ao comércio exterior, mas uma plataforma para os países se projetarem para o resto do mundo.

"A inserção do Mercosul na economia global deve ser a favor de nossos setores produtivos, e não contra", comentou.

ASSOCIADOS.

Na reunião, na qual a maioria dos líderes se referiu aos desafios deixados pelo novo coronavírus, Piñera apelou para uma convergência entre a Aliança do Pacífico e o Mercosul e convidou Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia a aderir ao projeto que o Chile está realizando com a Argentina para a instalação de um cabo submarino que ligará a América do Sul à Ásia-Pacífico.

Da mesma forma, Arce insistiu na vontade da Bolívia de fazer parte do Mercosul como membro pleno: "uma oportunidade de fortalecer o Mercosul e contribuir para a integração do continente sul-americano", concluiu.

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