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BID afirma que década não precisa ser "perdida" para América Latina

17/05/2021 15h40

Madri, 17 mai (EFE).- O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Mauricio Claver-Carone, disse nesta segunda-feira que esta década não precisa ser um período perdido para a América Latina, apesar da crise econômica e dos impactos da pandemia.

O dirigente cubano-americano fez esta declaração no IV Congresso Ibero-Americano do Ceapi, Transformação e impacto social: as melhores empresas para o planeta, no qual participou em Madri juntamente com os secretários-gerais da Secretaria-Geral Ibero-Americana (Segib) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Rebeca Grynspan e Angel Gurria, respectivamente.

O presidente honorário do Conselho Empresarial Aliança para a Ibero-América (Ceapi), Enrique Iglesias, também participou no mesmo debate, que se centrou na análise dos desafios e oportunidades que a pandemia criou na América Latina.

OPORTUNIDADES PARA A AMÉRICA LATINA.

Na sua primeira viagem como presidente do BID, Claver-Carone reconheceu que a região enfrenta a pior crise "desde 1821", mas "em cada crise há oportunidades, e é sobre essas oportunidades que devemos concentrar-nos".

Nesse sentido, relacionou a recuperação econômica da região ao ritmo da vacinação contra a Covid-19 e recordou que sua instituição já dedicou US$ 1 bilhão para "distribuição, aquisição e armazenamento" de doses.

"Obviamente não é suficiente, já vimos os desafios, e hoje estamos trabalhando com o Covax para aprender com os erros. Podemos agir como um país para ajudar a distribuição. Quanto mais tempo a vacinação durar, mais tempo vai demorar (para conseguir uma recuperação)", acrescentou.

Por outro lado, ressaltou as cinco grandes oportunidades que a região tem, em sua opinião: integração, digitalização, inovação nas empresas, igualdade de gênero e desenvolvimento sustentável.

LACUNA DE VACINAÇÃO MARCARÁ RECUPERAÇÃO DOS PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO.

Já a titular da Segib, Rebeca Grynspan, afirmou que "o fosso vacinal ainda é muito grande para os países em desenvolvimento" e recordou que o consórcio Covax para o acesso global às vacinas "garante apenas 20% de vacinação nestes países", o que "não será suficiente para se recuperar da crise".

A dirigente costarriquenha considerou que parte do problema reside no financiamento e também nos pré-contratos que as empresas farmacêuticas pedem aos países para a compra de doses.

Ao mesmo tempo, aplaudiu iniciativas de países desenvolvidos para doar doses, como a que a Espanha fez na última Cúpula Ibero-Americana, quando anunciou a doação de 7,5 milhões de vacinas.

Grynspan também elogiou a futura emissão de direitos de saque pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), mas pediu que os países que não os exigem possam cedê-los a "programas de investimento e abrir espaço fiscal" para os latino-americanos.

Por sua vez, o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, insistiu no multilateralismo como a "única forma de enfrentar os problemas" no mundo e salientou que as empresas devem "participar e liderar" os processos de mudança propostos pelos governos.