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Bloqueios de estradas nos protestos, outro duro golpe na economia colombiana

27/05/2021 20h18

Ovidio Castro Medina.

Bogotá, 27 mai (EFE).- A economia da Colômbia, duramente atingida pelas restrições impostas para diminuir a incidência do coronavírus no país, sofreu outro duro golpe com os bloqueios de estradas promovidos durante os protestos contra o governo do presidente Iván Duque.

As manifestações maciças da paralisação nacional, que estão perdendo apoiadores, começaram no último dia 28 de abril para pressionar o governo a retirar seu controverso projeto de lei de reforma fiscal, como de fato fez, e a tomar medidas contra a brutalidade policial; mas, à medida que os dias foram passando, outras reivindicações foram adicionadas em uma mistura de questões nacionais e locais.

As perdas para a economia são enormes e, segundo algumas estimativas, podem acabar sendo superiores ao que o governo esperava obter com a reforma fiscal, cerca de US$ 6,302 bilhões.

"Na realidade, os bloqueios têm mais impacto na economia do que a própria paralisação. Os bloqueios impedem o trânsito de produtos das áreas rurais para os mercados e eles acabam sendo os mais afetados", disse o professor César Ferrari, do Departamento de Economia da Pontificia Universidad Javeriana, à Agência Efe.

CICLOS DE PRODUÇÃO INTERROMPIDOS.

Com os bloqueios, todo o ciclo econômico é afetado, segundo Ferrari, que cita como exemplo o setor avícola, uma vez que suas empresas não podem levar alimentos para as aves.

"Se acrescentarmos a isso a produção de leite que não pode ser recolhido para levá-lo aos centros populacionais tudo se complica", comentou.

O governo colombiano insiste que garante o direito ao protesto pacífico, mas que os bloqueios estão fora da lei porque impedem o abastecimento de alimentos, medicamentos e, em muitos casos, as pessoas de irem trabalhar.

Segundo Ferrari, quando os ciclos são interrompidos, os empresários não podem pagar seus fornecedores, salários e impostos, o que leva a uma taxa de desemprego mais elevada, que atinge principalmente as classes mais pobres.

A Federação Nacional de Avicultores da Colômbia (Fenavi) adverte que, devido aos bloqueios e protestos, há mais de 120 milhões de aves em risco de morrer por falta de alimentação, além de 20.000 toneladas de galinhas e 180 milhões de ovos que não puderam ser enviados para os mercados.

De acordo com a Fenavi, mais de 350.000 famílias que dependem da indústria avícola estão à deriva porque, se os bloqueios de estradas continuarem, estas pessoas poderão aumentar as fileiras dos desempregados.

EMPRESAS SUSPENDEM AS OPERAÇÕES.

Uma pesquisa recente da Confecámaras, o organismo que coordena as Câmaras de Comércio Colombianas, revelou que 22,2% das empresas-membros suspenderam suas operações por causa dos bloqueios.

A consulta, que foi feita com 12.979 empresários, indica também que 53,4% deles operaram a uma taxa que varia entre 1% e 50% da sua capacidade desde o início das manifestações.

A situação é ainda mais grave do lado do emprego, uma vez que 90,4% dos consultados, na sua maioria de micro e pequenas empresas, disseram que em seus negócios entre um e cinco postos de trabalho estão em risco devido à paralisação nacional e ao bloqueio de estradas.

"Estes números dramáticos mostram a realidade dos empresários, na sua maioria micro e pequenos, em todas as regiões do país, por causa dos bloqueios de estradas", destacou o presidente da Confecámaras, Julian Dominguez.

VENDAS EM BAIXA.

A pesquisa revela também que em 94,3% das empresas as vendas diminuíram desde o início desta crise e alerta que, "se os bloqueios continuarem, 35,1% dos consultados dizem que terão de fechar parcialmente, 32,5% serão obrigados a reduzir custos para sustentar a operação, 20,2% reduzirão sua equipe e 12,2% fecharão seus negócios".

Em outras palavras, menos oportunidades em um país onde, segundo o Departamento Administrativo Nacional de Estatística (DANE), a taxa de desemprego no último mês de março era de 14,2%.

Outra voz a condenar os bloqueios é a do presidente do estatal Banco Agrário, Francisco José Mejía, que assegura que esta paralisia afeta os camponeses que não podem levar seus produtos aos mercados e, consequentemente, não podem pagar suas dívidas.

Embora ainda não haja uma quantificação das perdas na economia, o número tratado por diferentes círculos aponta para mais de US$ 2,8 bilhões.

"A Colômbia já perdeu metade do que esperava receber da reforma fiscal original, que supostamente deu origem à paralisação", lamentou Mejía.

A Federação Nacional dos Cafeicultores (FNC), da qual são membros cerca de 540.000 famílias de produtores de café, também pediu o fim dos bloqueios "em todo o país, bem como dos atos de violência que perturbam e afetam todos os colombianos".

Segundo a FNC, os bloqueios e outros atos de violência, tais como o recente saque de armazéns no porto de Buenaventura, o mais importante do país, "perturbam o trânsito normal do café, a segurança alimentar, a saúde, a vida e o trabalho".