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Frota venezuelana de veículos é a mais nova vítima de crise do petróleo

24/06/2021 05h42

Caracas, 23 jun (EFE).- A Venezuela convive há anos com a escassez da produção de gasolina, última escala no declínio da petroleira estatal PDVSA, e agora se multiplicam as reclamações sobre as péssimas condições em que o combustível chega às bombas, o que, segundo motoristas, faz com que as visitas às oficinas se tornem frequentes.

Velas de ignição ou bombas de gasolina queimadas prematuramente, bicos injetores entupidos, discos de freio danificados e problemas graves no motor são algumas das falhas que os veículos podem apresentar a cada dois ou três meses como resultado da má qualidade do combustível.

"A gasolina que temos agora vem com muitos poluentes, terra, água, e a própria gasolina é de má qualidade", explicou o mecânico automotivo venezuelano Rubén Requena, que tem mais de dez anos de atuação na área.

Requena explicou que as falhas são tão recorrentes em diferentes veículos que não é difícil determinar o culpado: o combustível.

O mesmo argumento é defendido pelo também especialista em limpeza de injetores Félix Grillo. De acordo com ele, esses problemas ficaram comuns há um ano, quando o combustível importado do Irã chegou ao país pela primeira vez, devido à escassez que deixou a Venezuela quase sem gasolina durante vários meses.

"Está chegando uma gasolina que parece suco de tamarindo, marrom. Ela era clara, branca ou rosada, (agora é) puro pântano", disse Grillo, que alegou que o combustível também está rendendo menos.

A gasolina importada do Irã tem especificações diferentes da fabricada na Venezuela. A octanagem, por exemplo, é menor, segundo Rafael Quiroz, especialista em petróleo.

"Não tenho dúvidas de que essa gasolina é boa para a frota automotiva, com certeza, do Irã. Mas, no caso da Venezuela, não vale por questões de temperatura, questões ambientais, entre outras", disse.

A frota venezuelana também voltou a ser abastecida com combustível produzido nas refinarias do país, de acordo com Quiroz e o sindicalista Iván Freites, secretário de profissionais e técnicos da Federação Unitária dos Petroleiros da Venezuela.

No entanto, a gasolina que está sendo produzida no país não tem todos os componentes tradicionalmente usados. Dos oito que serviam para o preparo da gasolina, a PDVSA possui apenas quatro. E isso se deve, em parte, às complicações que a petroleira enfrenta devido às sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos.

O sindicalista destacou que, apesar disso, a Venezuela produziu componentes para gasolina em anos anteriores, mas devido ao "desmantelamento" da indústria do petróleo, há reclamações de falta de manutenção em todas as máquinas da indústria, o que também afetou a qualidade da produção.

O volume produzido na Venezuela não é suficiente para abastecer a frota nacional de veículos, estimada em cerca de 4 milhões de unidades, segundo a Câmara dos Fabricantes de Produtos Automotivos do país.

A indústria petroleira venezuelana passou de produzir pouco menos de 400 mil barris por dia, há um ano, para mais de 570 mil hoje, após a queda dos últimos oito anos. Em 2013, a Venezuela produzia quase 3 milhões de barris diariamente.