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Argentina projeta crescimento econômico de 4% em 2022 e acordo com FMI

16/09/2021 21h22

Buenos Aires, 16 set (EFE).- O projeto de orçamento para 2022 enviado ao Parlamento pelo governo do presidente Alberto Fernández prevê que a economia da Argentina crescerá cerca de 4% e leva em conta que o país fechará um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para refinanciar dívidas por aproximadamente US$ 45 bilhões, segundo fontes oficiais.

A iniciativa, o segundo orçamento elaborado pelo governo desde que Fernández chegou ao poder em 2019, projeta para o ano que vem um crescimento do produto interno bruto (PIB) de 4%, depois de uma alta de 8% esperada para este ano.

O ministro da Economia argentino, Martín Guzmán, afirmou na quarta-feira que o governo trabalha por uma "dupla recuperação" econômica - após o PIB ter caído 9,9% em 2020 - e da pandemia de covid-19, uma crise sanitária que causou 5,2 milhões de contágios e 113.969 mortes.

Em ato junto a Fernández para apresentar um projeto de divulgação de investimentos no setor de hidrocarbonetos, Guzmán disse que a Argentina já está no ponto de "passar de uma fase de cansaço, angústia e estresse para uma etapa de oportunidades, previsibilidade e tranquilidade".

Sobre a inflação, um dos principais problemas macroeconômicos da Argentina, o orçamento prevê que neste ano a alta será de 45,1% e que haverá uma desaceleração de 33% em 2022.

De acordo com um resumo das principais variáveis orçamentárias divulgadas pelo Ministério da Economia, o governo de Fernández espera que o consumo privado cresça 4,6% e o consumo público 3,1% no próximo ano, enquanto o investimento deverá aumentar 6,6%, após uma recuperação de 31,1% neste ano.

Por outro lado, está previsto um superávit comercial de US$ 9,323 bilhões, abaixo do saldo positivo de US$ 12,878 bilhões previsto para este ano, após um aumento de 7,5% nas exportações e de 9,4% nas importações em 2022.

Além disso, a pasta de Economia projeta uma taxa de câmbio nominal em dezembro de 2022 de 131,1 pesos por dólar, passando de 102,4 pesos por dólar em dezembro de 2021.

Outra variável reportada é uma melhora de 4% dos salários reais em dezembro de 2022, após um aumento de 3,8% no final de 2021.

ACORDO COM FMI.

O projeto foi elaborado levando em conta que a Argentina chegará a um acordo com o FMI e, consequentemente, não terá de enfrentar no ano que vem os vencimentos de dívida com essa entidade, cerca de US$ 19,02 bilhões entre capital e juros.

"Apresentamos o orçamento considerando que no ano que vem não teremos de cumprir os compromissos externos. Mas a realidade é que isto requer seguir adiante como FMI e conseguir isso", disse Fernández, juntamente com Guzmán, no evento.

A Argentina, que tem negociado com o FMI desde o ano passado, afirma não ter recursos suficientes para cumprir os pesados pagamentos previstos no acordo de resgate de 2018.

Fernández disse que se não for firmado um acordo a Argentina terá de pagar US$ 19 bilhões no ano que vem, levando a um cenário em que as obras públicas, as despesas do Estado em educação, saúde, ciência e tecnologia, e crédito para o setor produtivo seriam afetados.

O governo argentino tentar chegar a um acordo de facilidades prolongadas com o FMI, com taxas de juro mais baixas e um período de pagamento de pelo menos dez anos.

FRENTE FISCAL.

O orçamento prevê para o ano que vem um déficit fiscal primário (não incluindo os pagamentos de juros da dívida) equivalente a 3,3% do PIB, a partir de um resultado negativo de 4% projetado para este ano.

Entretanto, projeta um resultado financeiro negativo de 4,9% do PIB até 2022, o que seria inferior à projeção do governo para este ano, de 5,4% do PIB.

"Estas necessidades serão cobertas através da emissão de dívida pública em pesos no mercado local, adiantamentos temporários pelo Banco Central dentro dos limites estabelecidos pelos regulamentos em vigor, e financiamento fornecido por organizações internacionais", diz o projeto de orçamento.

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