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México afirma que não cederá "soberania" em conflito energético no T-MEC

28/07/2022 17h20

Cidade do México, 28 jul (EFE).- O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, afirmou nesta quinta-feira que seu governo não cederá a "soberania" do país, mesmo que isso signifique deixar o Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá (T-MEC) em meio ao conflito sobre as consultas sobre a política energética mexicana.

"Mesmo no caso do mercado mais importante do mundo, se ter acesso a esse mercado implica em abrir mão da soberania, não aceitamos, não vamos entregar nossa independência a nenhum governo estrangeiro", disse López Obrador em sua entrevista coletiva diária no Palácio Nacional.

Há uma semana, o governo do México recebeu pedidos do Canadá e dos Estados Unidos para iniciar consultas sobre a contestada política energética mexicana.

O chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, informou ontem que o governo do México já está preparando a estratégia que apresentará nas consultas solicitadas pelos Estados Unidos e Canadá, seus principais parceiros comerciais, dentro do T-MEC.

A principal queixa dos EUA e do Canadá concentra-se em suas preocupações com o favoritismo que o governo mexicano dá às suas estatais Petróleos Mexicanos (Pemex) e à Comissão Federal de Eletricidade (CFE), principalmente devido à negação de novas licenças e à mais recente reforma das leis em matéria elétrica.

O presidente do México sustentou nesta quinta-feira que seus homólogos norte-americanos não estão certos em seus argumentos e que sua chegada à presidência mexicana se deu para manter o país latino-americano como "independente".

"A mudança (política) ocorreu para que o México pudesse permanecer um país independente, não como colônia de qualquer país estrangeiro. É uma questão de dignidade, é a nossa história, não podemos nos trair", comentou.

Da mesma forma, informou que o capítulo 8 do T-MEC foi redigido pelo México desde a assinatura do acordo comercial, que enfatiza que os outros dois governos confirmam seu pleno respeito à soberania e seu direito soberano de regular com respeito suas políticas internas, em pleno exercício de seus processos democráticos.

"Eles não estão certos (em suas consultas), não foi em vão que a negociação (do T-MEC) foi interrompida por quase 15 dias por causa do artigo 8 do tratado porque eu me opus ao que os funcionários do governo anterior já haviam negociado", ressaltou. EFE