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Fitch: perspectiva de crescimento da economia brasileira no curto prazo é baixa

Eduardo Laguna

São Paulo

O diretor-executivo da Fitch Ratings, Rafael Guedes, disse nesta sexta-feira, 12, que, apesar de alguns sinais positivos de retomada econômica, a perspectiva de crescimento do Brasil no curto prazo segue baixa. Durante debate promovido pela Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unido (Amcham), Guedes observou que a taxa de investimento do País, na faixa de 16% a 17% do Produto Interno Bruto (PIB), é incompatível com um crescimento sustentável superior a 2% ao ano e lembrou dos problemas no sistema educacional, além da baixa eficiência da mão de obra brasileira.

Ele também lembrou que a dívida pública do Brasil caminha para alcançar 75% do PIB neste ano, enquanto em países de desenvolvimento parecido está em 45%. Também considerou que a baixa popularidade do governo representa um risco às reformas estruturais.

Apesar disso, Guedes avaliou que o Brasil, aos olhos dos investidores, é hoje um País "completamente diferente" do que era até poucos anos atrás.

Ele disse que a reforma da Previdência - vista como fundamental para corrigir a trajetória da dívida pública - vai passar no Congresso, mas alertou ser importante que não haja mais diluição nas medidas que serão votadas. "O risco é dessa montanha sair um ratinho", comentou o executivo da Fitch.

Guedes comentou ainda que provavelmente o Brasil terá que enfrentar outras reformas na Previdência, lembrando que nenhum País fez um único ajuste no sistema de pensões e aposentadoria. "A Suíça já fez 17. Mesmo que a reforma fosse a ideal, teríamos a necessidade de ajustes ao longo do tempo. Vivemos cada vez mais", salientou, acrescentando que, cada vez que se dilui um pouco a proposta de reforma, transfere-se o trabalho de ajuste das regras para o próximo governo.

Ainda assim, Guedes avaliou que, mesmo após as concessões, a reforma da Previdência significará uma economia de centenas de bilhões de reais ao País e que, após a proposta ser aprovada, ficará mais fácil ao próximo presidente trabalhar as categorias poupadas das mudanças do que ter que enfrentar todos os problemas de uma vez.

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