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BC vê inflação menor em 2017 e 2018, mas deve reduzir corte nos juros

Fabrício de Castro, Eduardo Rodrigues e Fernando Nakagawa

Brasília

O Banco Central reduziu as projeções para a inflação deste e do próximo ano no cenário de mercado. Segundo o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado nesta quinta-feira, 22, o cenário de mercado prevê IPCA de 3,8% em 2017. A mais recente ata do Comitê de Política Monetária citava previsão de alta de 4,0%. No relatório de inflação divulgado em março, o BC também esperava alta do índice oficial de inflação de 4,0% pelo cenário de mercado.

Para 2018, o cenário de mercado indica que o IPCA ficará em 4,5%, e não mais em 4,6% como constava na mais recente ata do Copom. No RTI de março, a projeção era justamente de 4,5%, ou seja, no centro da meta.

O cenário de mercado utiliza como parâmetros as previsões dos analistas, contidas no Relatório de Mercado Focus, para a taxa de câmbio e os juros no horizonte da previsão.

O BC informou também, no RTI, que a projeção para o IPCA nos 12 meses encerrados no segundo trimestre de 2019 está em 4,3% no cenário de mercado.

Referência

O BC elevou as projeções para a inflação deste e do próximo ano no cenário de referência. Segundo o Relatório Trimestral de Inflação, o cenário de referência prevê IPCA de 3,8% em 2017. No relatório de inflação divulgado em março, o BC esperava alta de preços de 3,6% este ano. O BC deixou de publicar as estimativas do cenário de referência - que utiliza câmbio e juros constantes - nas atas dos encontros do Comitê de Política Monetária (Copom).

Para 2018, conforme o RTI, o Banco Central projeta no cenário de referência que o IPCA ficará em 3,9%, e não mais em 3,3% como visto no documento de março.

O BC informou ainda, no RTI, que a projeção para o IPCA nos 12 meses encerrados no segundo trimestre de 2019, pelo cenário de referência, está em 3,7%.

Nos cálculos do cenário de referência, o BC considerou uma Selic de 10,25% ao ano e um dólar a R$ 3,30.

Taxa de juros

O Banco Central repetiu a avaliação de que "uma redução moderada do ritmo de flexibilização monetária em relação ao ritmo adotado naquela ocasião deveria se mostrar adequada em sua próxima reunião, em julho". A frase é citada no Relatório Trimestral de Inflação em menção à avaliação feita na mais recente reunião do Comitê de Política Monetária e é resultado da avaliação do cenário básico e do balanço de riscos usado pelo BC.

Apesar de repetir a avaliação, o documento tenta relativizar o quadro com a lembrança de que "o ritmo de flexibilização monetária continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação".

Sobre o processo de comunicação com o mercado, o BC afirma que vai "explicitar condicionalidades sobre a evolução da política monetária, o que melhor transmite a racionalidade econômica que guia suas decisões". Essa estratégia, diz o documento, contribui para aumentar a transparência e melhorar a comunicação do Copom.

PIB

O Banco Central manteve a previsão de que o Produto Interno Bruto (PIB) terá crescimento de 0,5% em 2017. O RTI trouxe piora para vários indicadores, como o consumo das famílias, do governo e dos investimentos, mas houve aumento da expectativa de crescimento do setor agropecuário e da indústria - o que anulou o efeito negativo das outras componentes do PIB.

Entre as componentes do PIB para este ano, o BC melhorou expressivamente a expectativa para o setor agropecuário e a estimativa para o PIB do campo melhorou de +6,4% para +9,6%. A expectativa para a indústria também melhorou e passou -0,1% para +0,3%. Para o segmento de serviços, ao contrário, a expectativa passou de +0,1% para -0,1%.

Pela ótica da demanda, o BC pirou a expectativa do consumo das famílias em 2017 de +0,5% para zero. O consumo do governo também foi piorado e a previsão passou de +0,2% para -0,6%.

O relatório indica que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) - indicador que mede o volume de investimento na economia - deverá ter recuo ainda mais intenso, de -0,6%. No RTI de março, a expectativa era de -0,3%.

Dólar

As estimativas apresentadas no relatório levaram em conta um câmbio de R$ 3,30 para a formulação do cenário de referência (de câmbio e juros constantes). O documento teve como data de corte o dia 14 de junho deste ano.

No Relatório de Mercado Focus da última segunda-feira, as projeções para o dólar ficaram em R$ 3,30 para o fim de 2017 e R$ 3,40 para o fim de 2018.

Preços administrados

O relatório mostra que o Banco Central prevê alta de 5,9% para os preços administrados em 2017. Na ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC previa elevação dos preços administrados de 6,1% neste ano.

Para 2018, a expectativa de alta do conjunto de preços administrados é de 5,5%, como já estava na ata.

No Relatório de Mercado Focus, divulgado na última segunda-feira, os analistas consultados pelo BC previam alta dos preços administrados de 5,40% em 2017 e 4,74% em 2018.

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