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FGV: confiança de serviços cai 2,8 pontos em junho, para 81,9 pontos

Vinicius Neder

Rio

O Índice de Confiança de Serviços (ICS) caiu 2,8 pontos na passagem de maio para junho, para 81,9 pontos, na série com ajuste sazonal, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV). Em maio, houve alta de 0,5 ponto. A queda em junho foi a maior desde setembro de 2015, quando o recuo foi de 3,0 pontos. Segundo a FGV, o desempenho negativo no mês "deve-se, sobretudo, à piora das expectativas". O Índice de Expectativas (IE-S) do setor caiu 5,2 pontos, enquanto o Índice da Situação Atual (ISA-S) cedeu apenas -0,4 ponto.

"A intensificação da tendência de ajuste nas expectativas, que vinha sendo observada desde o início do segundo trimestre, foi muito provavelmente influenciada pela turbulência no ambiente político a partir do 17 de maio. As avaliações sobre a situação corrente também foram afetadas, com o índice interrompendo uma sequência de três meses de alta", diz a nota divulgada há pouco pela FGV.

Segundo a entidade, a principal contribuição para a queda do IE-S em junho foi dada pelo indicador que mede as expectativas em relação a "Demanda nos três meses seguintes", que recuou 5,3 pontos, para 84,7 pontos. A maior contribuição para a queda do ISA-S veio do indicador de Situação Atual dos Negócios (-0,7 ponto, para 78,3 pontos).

A piora da confiança foi generalizada, com queda no ICS em nove das 13 atividades pesquisadas. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) do setor de serviços caiu 0,9 ponto porcentual em junho ante maio, para 81,5%, o menor nível da série histórica da FGV.

Entre os fatores que vêm sendo apontados como entrave à atividade das empresas, o quesito "Demanda insuficiente" continua liderando as reclamações, tendo sido apontado por 39,4% das empresas em junho. Em segundo lugar, vem a opção de resposta aberta ("outros fatores"), marcada por 33,5% das empresas.

Segundo a FGV, ao classificar as respostas livres de "outros fatores" em duas grandes categorias, "Clima Econômico" e "Clima Político", "observa-se um forte indicativo da influência do ambiente político na avaliação das empresas sobre o rumo dos negócios em junho".

"A citação ao Clima Político como um fator limitativo supera, pela primeira vez desde outubro de 2014, período de eleições, o Clima Econômico, o que reforça a interpretação de que a piora das expectativas esteja relacionada aos eventos de 17 de maio", diz a nota da FGV.

Por isso, para a FGV, "ao final do primeiro semestre, ampliam-se os sinais de manutenção de um cenário de atividade fraca, adiando uma fase mais clara de recuperação do setor".

A coleta de dados para a edição de junho da sondagem foi realizada entre os dias 1 e 27 deste mês, com 1.986 empresas.

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