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Motoristas deixam a greve com escolta

Pablo Pereira, Roberta Pennafort e André Borges

São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília

30/05/2018 11h00

O medo de represálias por parte de caminhoneiros em greve impede o fim dos acampamentos em rodovias do País. Motoristas que querem retornar à estrada estão contando com ajuda de patrulheiros da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para deixar os piquetes. No fim da tarde de terça-feira, 29, segundo a PRF do Vale do Paraíba, pelo menos 27 carretas saíram escoltadas de quatro pontos de paralisação da via Dutra.

"Saí de lá por volta de 15h, com ajuda da polícia", contou um motorista que ficou parado no trevo de Santa Isabel por uma semana e que desde quinta-feira, 24, pedia para ser liberado no local, sem ser autorizado por líderes do acampamento. Pedindo para não ser identificado, o motorista contou que colegas continuavam com medo de voltar ao trabalho. "Quando a PRF chegou, fui até eles e pedi para ir embora", disse. "O pessoal que tentou sair foi apedrejado", contou outro motorista, que permanece no piquete. "A gente quer ir, mas não pode", emendou outro, do Rio, preso no km 186.

Mas nem todos querem seguir viagem. "Vou ficar", rebateu o caminhoneiro Eduardo Santos, motorista de uma empresa de São Bernardo do Campo que tem um caminhão preso no bloqueio desde o segundo dia da paralisação. "Ninguém está sendo impedido de sair, não", afirmou. No fim da tarde, comboios de caminhões de gás podiam ser vistos trafegando naquele trecho da Dutra, escoltados pelo Exército.

O patrulheiro da PRF que fazia a ronda no trevo de Santa Isabel orientava os descontentes a evitar sair no período noturno para evitar ataques aos veículos na estrada.

Divisão

Sem liderança unificada, caminhoneiros concentrados no km 204 da rodovia, na altura do município de Seropédica - maior ponto de mobilização do Rio - dividiram-se quanto à manutenção da greve. Alguns declararam não se sentir representados por associações que negociaram com o governo federal e prometeram ficar ali até que o preço dos combustíveis baixe nas bombas. Outros se disseram cansados e determinados a voltar a trabalhar para recuperar o prejuízo dos dias parados.

Os caminhoneiros que resistem afirmaram que querem ser recebidos pessoalmente pelo governo, em Brasília. Garantiram que a paralisação continua a ganhar força por meio de mensagens no WhatsApp.

"Os sindicatos só representam os patrões. O (presidente Michel) Temer não recebeu o bandido da JBS (Joesley Batista) de noite? Por que não (recebe) a gente? Não vamos sair daqui. Não saiu no Diário Oficial a redução do combustível, não baixou na bomba", disse Marcos Santos, uma das principais vozes do grupo. O caminhoneiro tem 45 anos de idade e 30 de boleia. Para ajudar os pais, começou a dirigir aos 15, com a carteira do irmão.

"São 500 caminhões desse lado da Dutra e 500 do outro. Aqui temos famílias, crianças, mas somos tratados como marginais. A pista e o acostamento estão liberados, e estamos numa área particular, cedida, então a polícia não pode multar ninguém. Só queremos nossa dignidade, não podemos perder essa batalha. A gente ganha por frete, mas o que sobra no final não dá para o sustento da família", continuou Santos, com lágrimas nos olhos. Ele está na Dutra há nove dias.

Luziânia

Em Luziânia, à beira da BR-040, que liga Brasília à região Sudeste do País, José Altair Martins, caminhoneiro de Goiás, apontado por motoristas como um dos líderes do movimento, diz que a mobilização não aceita o acordo anunciado pelo governo e que ninguém vai embora. Ele nega qualquer tipo de influência política externa e diz que os grevistas atuam por conta própria.

"Eu não sou dono de caminhão. Sou empregado. Nem patrão eu tenho, eu trabalho por minha conta, por comissão. E a mobilização não vai acabar. Enquanto depender de mim e de muitos, não vai acabar", disse. Alguns caminhoneiros, porém, decidiram voltar para a estrada e foram acompanhados pela polícia. Não houve tentativa de impedir a saída, apenas hostilidades entre os caminhoneiros. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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