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Iata: alta dos custos reduz estimativa para lucro das aéreas em 2018

Letícia Fucuchima

Sydney, Austrália

Diante do cenário de aumento dos custos das companhias aéreas com combustível e obrigações trabalhistas, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) revisou para baixo sua projeção para o lucro da indústria neste ano. Pela expectativa atual, a cifra deve chegar a US$ 33,8 bilhões (com margem líquida de 4,1%), inferior aos US$ 38,4 bilhões previstos em dezembro de 2017.

A nova estimativa foi apresentada na manhã desta segunda-feira, 4, durante conferência organizada pela entidade em Sydney, na Austrália. Em sua fala, o diretor geral da Iata, Alexandre de Juniac, destacou que a performance das aéreas permanece "sólida", apesar dos desafios no horizonte para este ano - notadamente, os custos das companhias, mas também a "crise" de capacidade aeroportuária e questões regulatórias. "As bases financeiras da indústria se mostram fortes e o retorno sobre o capital investido deve exceder o custo de capital pelo quarto ano consecutivo", destacou.

Como contrapeso à elevação dos custos, o cenário para as receitas segue favorável, baseado no crescimento da demanda aérea. No segmento de passageiros, a Iata prevê que o tráfego aéreo deve avançar 7,0% em 2018, desacelerando frente à taxa de 8,1% em 2017, mas ainda acima da média de 5,5% dos últimos 20 anos. Já a demanda por transporte aéreo de cargas deve subir 4,0%, também arrefecendo em relação à expansão de 9,7% do ano passado, impulsionada por um ciclo de reabastecimento de estoques que já chegou ao fim.

Neste cenário, as receitas totais das aéreas devem expandir para US$ 834 bilhões em 2018, 10,7% superiores às anotadas em 2017, conforme as projeções da Iata.

Em relação ao fechamento do ano passado, a entidade estima que as companhias tenham lucrado US$ 38 bilhões. A cifra, maior que os US$ 34,5 bilhões previstos anteriormente pela Iata, foi engordada por itens contábeis, como créditos tributários não recorrentes, explica a Iata. Embora o lucro de 2017 tenha sido maior que o esperado para este ano, Alexandre de Juniac frisa que, na leitura da Iata, a indústria de aviação não passa por uma reversão da tendência positiva.

*A jornalista viajou a convite da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês)

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