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Governo vai trocar comando da Embrapa

Agência Brasil
Maurício Lopes tem mandato como presidente da Embrapa até outubro Imagem: Agência Brasil

Lu Aiko Otta, Márcia De Chiara e Gustavo Porto

Brasília, Ribeirão Preto e São Paulo

21/06/2018 11h00

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse na quarta-feira (20) ao jornal "O Estado de S. Paulo" que vai abrir o processo para escolha do novo presidente da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). O indicado vai suceder Maurício Lopes, que está no cargo há seis anos, com mandato até outubro.

A decisão de dar a largada para o processo sucessório antes de vencer o mandato do presidente atual ocorre em meio à polêmica proposta de reestruturação da estatal comandada por Lopes.

A proposta não encontra apoio da maioria dos 9.600 funcionários. A estatal também é alvo de duras críticas de lideranças de produtores rurais e de pesquisadores por ter perdido, segundo eles, a relevância na pesquisa aplicada.

"Vamos seguir o que manda o estatuto e a lei das estatais: abrir para os interessados, fazer uma seleção e, por último, termos uma lista tríplice, da qual será escolhido um nome", afirmou Blairo.

Ele disse que a abertura do processo de sucessão agora já está acordada com o atual presidente e com a diretoria da empresa. A expectativa do ministro é concluir os trâmites no prazo final do mandato do atual presidente.

Presidente teria intenção de escolher sucessor

O jornal "O Estado de São Paulo" apurou que Lopes teria intenção de permanecer por mais tempo no cargo, aproveitando o vácuo da troca de governo para escolher o seu substituto. Abrir o processo de sucessão antes do fim do mandato anterior é uma prática inédita na estatal.

Para funcionários da empresa, essa mudança de conduta soa como uma reprovação ao projeto de reestruturação que o atual presidente quer por em prática rapidamente.

Conforme a coluna "Broadcast Agro" da edição de segunda-feira (18) antecipou, a atual direção da Embrapa pretende adotar um modelo de regionalização da gestão, com cinco superintendências e futuros centros de inovação, no lugar das atuais unidades descentralizadas de pesquisa.

Pelo modelo apresentado à cúpula do Ministério da Agricultura, os centros de pesquisa que hoje levam o nome de lavouras, como Embrapa Soja, por exemplo, seriam identificados pelo da cidade onde estão.

O projeto de reformulação da estatal, desenhado por 16 membros da direção da empresa escolhidos pela presidência, é alvo de duras críticas dos funcionários. Desde o início do mês, eles começaram a ser consultados, por e-mail, sobre o projeto de reestruturação.

Funcionários fazem assembleia sobre reestruturação

Carlos Henrique Garcia, presidente do Sinpaf (Sindicato Nacional de Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário), ligado à CUT, que representa 70% dos empregados da estatal, contou que foram marcadas 42 assembleias de funcionários da Embrapa espalhados pelas diversas regiões do país para tirar um posicionamento dos empregados em relação ao projeto de reestruturação da empresa.

Segundo Garcia, por mais que os funcionários tenham solicitado participação, a diretoria construiu a proposta sem a participação dos trabalhadores e agora, a toque de caixa, apresentou uma síntese do projeto e pediu a contribuição dos funcionários.

"Não somos contra as mudanças, mas contra a construção de uma proposta de forma arbitrária e unilateral, sem o envolvimento do conjunto de empregados da empresa e especialmente da sociedade que nos demanda", afirmou o presidente do Sinpaf.

Até o meio da tarde de quarta-feira, nas 16 assembleias realizadas, os trabalhadores foram unânimes pela suspensão imediata da implantação da reestruturação.

Procurada, a Embrapa informou que todos os empregados tiveram oportunidade de conhecer justificativas, objetivos e premissas do projeto de reestruturação. Quanto à sucessão do presidente, a empresa diz que cabe ao Conselho de Administração estabelecer quando esse processo será iniciado. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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