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'É preciso se libertar de mitos sobre alguns candidatos', diz empresário

Renata Agostini

Rio

24/06/2018 14h15

O empresário Antônio Carlos Pipponzi, acionista e presidente do conselho da Raia Drogasil, acredita que o empresariado precisa se "libertar de alguns mitos" e compreender que o candidato ideal ainda não se colocou. "Não dá pra pensar em nome novo a esta altura. Tem de ser pragmático. É muito cedo para falar que Alckmin não vai decolar, mas não dá para falar apenas nele", diz.

À frente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), coordenou encontros do setor com Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e João Amoêdo (Novo). Para ele, a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), que recusou convite do IDV, é a que causa mais apreensão. "É inimaginável termos um candidato que não se sabe quais são suas posições", diz.

Há mais interesse em ouvir os candidatos nesta eleição?

Sem dúvida nenhuma. Há pulverização, incerteza. No IDV, convidamos todos os principais candidatos para entender quem está mais alinhado com nossas posições. Existe preocupação dos empresários com a agenda de reformas, de não haver retrocessos no País. Essa é uma posição muito clara do IDV, do apoio às reformas, como a previdenciária e trabalhista. Com exceção de Bolsonaro, que recusou nosso convite, houve muita boa vontade dos candidatos para conversar.

Entraram em temas difíceis?

Não com muito conforto, mas deram sinalizações. Geraldo Alckmin tem o discurso que o empresariado quer ouvir, de aceleração maior de reformas. Falou muito na austeridade fiscal e razoavelmente de segurança e de educação. No caso do Ciro, ficou claro que existe certo temor até porque a maior plateia foi a dele. Há curiosidade. Mas ele se saiu bem, se dispôs a ficar com todo mundo. Está à esquerda, mas deu um pouco de conforto ao defender responsabilidade fiscal. Foi contra a reforma trabalhista e isso decepcionou a plateia. Pelo centro, vai a Marina, que de certo modo, deixou impressão muito boa. Ela procura se cercar de gente competente, independentemente de partido. Não mostra necessariamente posições que o empresariado gostaria de ouvir, mas mostra equilíbrio.

O empresariado deve se engajar mais na política neste ano?

Não nos engajaremos como IDV, até porque o estatuto não permite isso. Mas acredito que, como qualquer cidadão, o empresário tem de se posicionar e exercer sua influência de forma positiva. Este ano, existe bastante estresse, o próprio mercado tem mostrado isso. Temos de ter consciência que, nesse momento, possivelmente não temos o candidato que una a visão de País (que o empresariado deseja) e o tema de não ter ligação com os processos de investigação. É importante se libertar do plano A. Claramente, o plano A da maior parte dos empresários é Geraldo Alckmin. Mas é preciso olhar alternativas, e talvez se libertar de alguns mitos em relação a alguns candidatos. Esses contatos ajudam bastante.

O fato de a candidatura de Alckmin não ter decolado indica necessidade de olhar alternativas?

É uma necessidade. Não depende de ter plano de País apenas (para ser um candidato viável). Todo empresário quer o País crescendo, inflação baixa, que o País tenha desemprego menor. Mas precisamos entender o que é possível (politicamente). Viemos desse histórico de impeachment, um clima difícil para o País. Talvez as reformas que queremos tenham de vir em velocidade menor. Uma coisa ficou clara na conversa com Alckmin, Marina e Ciro: todos são responsáveis. Ninguém vai chegar lá e desprezar o equilíbrio das contas públicas. Agora, é preciso olhar a figura completa. Não adianta ter as melhores propostas e depois não conseguir aprovar nada no Congresso.

Os empresários desejam que surja um nome novo?

Acredito que será uma evolução. Não dá pra pensar em algum nome novo a esta altura. Tem de ser pragmático. Precisamos ver após a Copa do Mundo como vai ficar. É muito cedo para falar que Alckmin não vai decolar, mas não dá para falar apenas nele.

Há entusiasmo entre seus pares em relação a Bolsonaro?

Não senti isso. É visto ainda como incógnita. Isso talvez provoque a insegurança no mercado. Colocar um economista para falar por ele? Quem garante que esse economista estará no governo? Ciro Gomes assume posições e se coloca. Há pontos divergentes com a visão do setor, mas ao menos há debate e isso é importante.

O que desagrada é não saber o que pensa Bolsonaro?

Não o ouvi falar ainda, mas me parece inimaginável termos um candidato que não sabemos quais são suas posições. Por mais que se foque na segurança, o tema econômico é fundamental. Como o País vai ter capacidade de melhorar o eixo saúde, educação e segurança? O candidato apenas falar que ainda não sabe e está esperando seu programa... Isso me assusta. Não quero pré julgá-lo, mas me preocupa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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