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CBIC teme desabastecimento de novos projetos no mercado imobiliário

Circe Bonatelli

São Paulo

20/08/2018 11h58

O mercado imobiliário corre o risco de sofrer com o desabastecimento de imóveis residenciais novos no médio prazo caso não sejam resolvidos os gargalos na concessão de crédito para a construção, alertou o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins.

"Os bancos ficaram mais restritivos na concessão de crédito. Estamos discutindo com o governo como melhorar a situação de crédito para as empresas. Caso contrário, teremos desabastecimento no mercado no futuro. Não tem crédito para as empresas lançarem unidades suficientes para suprir a demanda do mercado", frisou em entrevista à imprensa nesta segunda-feira (20).

O estoque de imóveis novos disponíveis para venda no país chegou ao fim de junho com 124.715 unidades, queda de 14,4% em um ano, segundo levantamento da CBIC. Considerando a velocidade atual de comercialização dos imóveis, o estoque atual é suficiente para abastecer o mercado por 12 meses. Há um ano, o estoque tinha duração de 19 meses.

Segundo Martins, os bancos endureceram a liberação de financiamento para a produção devido aos impactos da crise sobre a situação financeira das construtoras. Além disso, os cancelamentos de vendas de imóveis --os chamados distratos-- aumentaram a desconfiança dos bancos sobre a capacidade de as empresas honrarem com a amortização do crédito para as obras.

Por conta disso, o presidente da CBIC defendeu a necessidade de se criar instrumentos que aumentem a segurança dos agentes financeiros para liberação de empréstimos. O principal exemplo citado foi a necessidade de se regulamentar os cancelamentos de vendas por meio da aprovação da lei do distratos, que aguarda votação no Senado.

A estimativa de Martins é que o tema possa ser resolvido ainda este ano. "Depois das eleições, isso pode se resolver", projetou.

O presidente da CBIC sugeriu ainda a criação de um seguro específico para o término de obras, o que poderia aliviar os riscos de construtoras que enfrentam dificuldades financeiras durante o período de construção dos empreendimentos.

Outro ponto importante citado por Martins é a necessidade de garantir que não haja desvios de recursos de empreendimentos que têm patrimônio afetado --instrumento que separa os ativos e passivos das Sociedades de Propósito Específico (SPEs) do restante do grupo empresarial.

"O patrimônio de afetação não pode perder recursos até que o projeto seja construído. Muita gente achou subterfúgios legais para esse tipo de brecha. Queremos que se fechem as portas para esse tipo de argumento", apontou, referindo-se aos casos de empresas que buscaram flexibilizar o fluxo de caixa e o pagamento de credores desses tipos de SPEs, o que criou litígios com bancos.