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'Ganhos do Brasil com disputa serão limitados', diz Welber Barral

Douglas Gavras

19/09/2018 07h20

Ninguém sairá ganhando da guerra comercial entre Estados Unidos e China, avalia o ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral. Para ele, a subida de tom dos dois países só vai trazer mais turbulência no comércio internacional e as oportunidades de negócios que se abrem para países, como o Brasil, são limitadas. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Qual é o impacto dessa guerra comercial para o Brasil?

Em uma guerra comercial não há vencedores. Mesmo que o comércio se desloque temporariamente e alguns países passem a vender mais determinados produtos por um tempo, o comércio exterior fica estressado. Isso tem impacto nos preços e na facilidade para exportar.

O Brasil não poderia vender mais soja para os chineses?

Em um primeiro momento, sim. Mas os Estados Unidos não vão deixar de vender sua soja no exterior, só vão mudar o destino de parte da produção. Se o Brasil deixar de vender soja para o México, por exemplo, para vender mais grãos para a China, o mercado mexicano será ocupado pelos Estados Unidos. Não existe um vácuo. Além disso, a China não deixará de comprar totalmente dos Estados Unidos, só vai pagar mais caro por ela.

O Brasil pode ter uma janela de oportunidades, para vender mais produtos para a China?

Sim, é algo que estamos estudando. Por enquanto, as oportunidades existem, mas em alguns nichos de mercado. O Brasil poderia, por exemplo, vender mais alimentos processados para o mercado chinês e vender peças e partes de tratores aos Estados Unidos.

O que pode acontecer agora?

Ninguém sai ganhando de uma guerra comercial. Imagino dois finais possíveis para o conflito: a China se vê obrigada a fazer algumas concessões aos Estados Unidos, o que daria ao governo Trump um motivo para declarar vitória à opinião pública; ou a guerra comercial resultaria em um grande dano para a indústria americana, o que forçaria a Casa Branca a mudar de posição. É quase uma disputa para ver qual dos dois ‘pisca’ primeiro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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