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Houve geração de vagas, mas a maioria voltada para a informalidade, diz IBGE

Daniela Amorim

Rio

30/10/2018 13h37

O mercado de trabalho mostrou melhora no terceiro trimestre, mas a geração de vagas permanece concentrada na informalidade, com prejuízos à contribuição para a Previdência Social, observou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na passagem do segundo trimestre para o terceiro trimestre do ano, a taxa de desemprego recuou de 12,4% para 11,9%, com a geração de 1,384 milhão de vagas, embora apenas 138 mil delas com carteira assinada no setor privado.

"Temos motivos para comemorar, esse 1,4 milhão (de vagas), mas temos motivos para ficar preocupados, porque a qualidade do emprego continua em queda", ressaltou Azeredo. "Ainda restam 12,5 milhões de pessoas em situação de desocupação no território brasileiro. Essa geração de vagas tem parte expressiva voltada para ocupações caracterizadas pela informalidade", completou.

No trimestre encerrado em setembro, foram criadas 522 mil vagas sem carteira assinada no setor privado e 432 mil pessoas passaram a trabalhar por conta própria, sendo 299 mil delas sem carteira assinada.

Aumentou também o total de pessoas subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas, atingindo o recorde de 6,859 milhões de indivíduos. Segundo Azeredo, o fenômeno tem relação com a informalidade, mas também com a mudança na legislação que permitiu o vínculo empregatício do contrato intermitente, em que o trabalhador só recebe remuneração quando acionado pelo patrão para trabalhar.

"O que puxa o emprego é (vaga) sem carteira assinada e conta própria sem CNPJ. A gente tem entrada (no mercado de trabalho) pela informalidade bem caracterizada mesmo", afirmou Azeredo.

O porcentual de trabalhadores ocupados contribuindo para a Previdência Social caiu de 63,7% em junho para 63,1% em setembro. No auge da série, em dezembro de 2015, havia 60,577 milhões de ocupados contribuindo. Em setembro, caiu a 58,398 milhões, o equivalente a 2,179 milhões de contribuintes a menos.

"Essa contribuição está muito relacionada também ao dinamismo que o trabalho está te dando. Se você não tem dinamismo, como vai contribuir? O quadro de contribuição para a previdência está muito aquém do que se via antes da crise econômica", observou Azeredo.