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Visitantes ajudam na segurança do G-20

Roberto Godoy

São Paulo

30/11/2018 08h00

Os grandes blindados verdes que estão rodando por Buenos Aires nas proximidades da Costa Salguero, do terminal aéreo e mesmo pelo polo turístico de Puerto Madero, são um presente da China. As lanchas rápidas artilhadas que circulam pelo estuário do Rio da Prata, sensores de vigilância ativados, vieram de Israel. Os sistemas de bordo dos poucos caças subsônicos A-4 Skyhawk da aviação de combate prontos para ação, foram modernizados com sistemas digitais americanos. Dos Estados Unidos vieram dispositivos médicos e recursos e de campanha. O valor dos blindados chega a US$ 18,5 milhões. As embarcações do tipo Shaldag estão na faixa dos US$ 15 milhões. As dificuldades do país anfitrião da reunião de cúpula do G-20 determinaram reforços nos planos da Casa Branca para as viagens internacionais do presidente. A base de operações do Serviço Secreto, das agências de inteligência e dos times especiais de intervenção rápida que sempre acompanham o governante americano em deslocamentos em áreas críticas, foi instalada em Montevidéu, do outro lado do rio. Claro, boa parte da estrutura está na Argentina - no Uruguai ficaram os grandes cargueiros, o avião de comando de crise nuclear, talvez as centrais móveis de comunicações e os pesados helicópteros oficiais.

Com um grande problema nas mãos e sem dinheiro para financiar a solução, o presidente da Argentina, Maurício Macri, decidiu pela saída fácil, embora constrangedora: aceitou doações de equipamentos e serviços de vários países integrantes do G-20, para garantir o esquema de segurança do encontro dos líderes das principais economias mundiais. Também investiu, mas foi pouco - por US$ 5,2 milhões, comprou um centro de defesa cibernética produzido em Tel Aviv. É possível que haja algum serviço de apoio do Brasil. Especialistas em coleta de dados de segurança treinados para atuar na Copa de 2014 e nos Jogos Olímpicos de 2016, estariam trabalhando para as empresas internacionais contratadas pela Argentina.

O evento começa nesta sexta-feira, 30, em Buenos Aires levando para a mesma mesa o presidente americano Donald Trump, o russo Vladimir Putin, o chinês Xi Jinping, a chanceler alemã Angela Merkel, o príncipe saudita Mohammed Bin Salman e a primeira ministra britânica, Theresa May - além de todos os outros, os emergentes e os controversos, como o turco Recep Tayyp Erdogan.

Para atender às exigências dos governos, Macri está gastando, só em segurança, US$ 43 milhões. O efetivo mobilizado chega a 52 mil homens e mulheres, das agências nacionais e das forças armadas - desse total, 22 mil agentes das polícias federal e aeroportuária, da Gendarmeria e das guardas setoriais, estão nas ruas há quatro dias. Na reserva, mas em condição de alerta 2 em uma escala de 5 níveis, há mais 30 mil militares, disse nesta quinta-feira, 29, ao jornal O Estado de S. Paulo um assessor do ministro da Defesa, Oscar Aguad.

O pacote completo da contribuição feita pelos chineses envolve além dos quatro blindados armados com metralhadoras pesadas, mais dois postos de comando e controle montados sobre carretas, 30 motocicletas para escolta das autoridades, robôs para remoção remota e escaneamento por vídeo, 40 trajes a prova de explosão, 87 detectores de drogas, metais, explosivos, detonadores e artefatos eletrônicos. Todo o inventário permanecerá em território argentino. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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