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Bebianno: decisão do STF sobre reajuste de servidor em 2019 causa desequilíbrio

Luisa Marini e Larissa Lima, especiais para a AE

Brasília

20/12/2018 14h33

O futuro chefe da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno, disse nesta quinta-feira, 20, que uma das prioridades do futuro governo de Jair Bolsonaro é o corte de gastos e o equilíbrio das contas públicas. O futuro ministro comentou ainda que a decisão do ministro do Supremo Ricardo Lewandowski de obrigar o governo a pagar o reajuste salarial de servidores em 2019 causa desequilíbrio, mas "faz parte do jogo".

"A mais difícil missão que nós temos é o equilíbrio das contas públicas. Não há como manter o Brasil dentro dessa cultura de aumentos dados sem que se leve em consideração o equilíbrio das contas públicas", disse Bebianno a jornalistas na sede do governo de transição. "Temos certeza que o ministro Lewandowski deve saber disso. Essa é a nossa mais difícil missão, porque exige medidas antipáticas como a não liberação desse tipo de aumento."

O futuro ministro disse que na quarta-feira, na primeira reunião ministerial realizada depois que Bolsonaro anunciou os nomes de sua equipe, foram repassadas as metas do plano de governo, que é "botar o cidadão em primeiro lugar". "A máquina pública existe em função do cidadão. Houve ali apresentação muito breve por parte de cada ministro com as principais diretrizes para cada pasta", comentou.

Bebianno disse ainda sobre a decisão de Lewandowski que "faz parte do jogo". Na quarta-feira, às vésperas do recesso do Judiciário, o ministro do STF decidiu manter o reajuste salarial para servidores federais para o ano que vem, medida que terá um custo de R$ 4,7 bilhões para os cofres públicos. "Vamos começar já com um desequilíbrio maior por causa disso, mas faz parte do jogo, vamos mudando isso ao longo do tempo", afirmou.

De acordo com o futuro ministro, o corte de gastos públicos será uma das prioridades do futuro governo, que toma posse no dia 1º.

"Nós sabemos que a máquina estatal é muito inchada, com sobreposição de atividades, muitos processos são realizados sem preocupação com o resultado final, serviço final muitas vezes não é nem de interesse da população. Mas, ao mesmo tempo, não se pode correr o risco de paralisar a máquina pública", disse Bebianno. Ele não detalhou como será o corte, mas disse que o desenho está sendo feito com a ajuda da consultoria Falconi.