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Última vez que total de desempregados passou de 13 mi foi no trimestre até agosto

Vinicius Neder

Rio

29/03/2019 12h27

A dispensa de trabalhadores temporários no início do ano, movimento sazonal e esperado no mercado de trabalho, foi a principal responsável pelo fechamento de 1,062 milhão de postos de trabalho, com a redução da população ocupada na passagem do trimestre móvel encerrado em novembro de 2018 para o trimestre terminado em fevereiro. Mas sinaliza também que a efetivação dos temporários foi menor na virada de 2018 para 2019 do que um ano antes.

A avaliação é de Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mais cedo, o órgão informou que a taxa de desemprego ficou em 12,4% no trimestre terminado em fevereiro, conforme os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

Como resultado da demissão de temporários, também houve aumento no ritmo de crescimento do desemprego. Na passagem do trimestre móvel terminado em novembro de 2018 para o trimestre encerrado em fevereiro deste ano, a população desocupada cresce 7,3%, com 892 mil pessoas a mais na fila do desemprego. São 13,098 milhões de desempregados - desde o trimestre móvel terminado em agosto, a população desocupada não passava dos 13 milhões.

Quando se faz a mesma comparação na virada de 2017 para 2018, a alta foi de 4,4%. Da mesma forma, a queda no contingente de desempregados no trimestre encerrado em fevereiro de 2019 ante igual período um ano antes (0,2%) foi bem menor do que a registrada no trimestre terminado em fevereiro de 2018 (3,1%).

No trimestre móvel terminado em fevereiro de 2018, também houve corte de vagas na comparação com o trimestre imediatamente anterior, mas Azeredo chamou a atenção para as comparações interanuais. No trimestre encerrado em fevereiro deste ano, a população ocupada cresceu 1,1%, indicando a criação de 1,036 milhão de postos de trabalho em um ano. Só que no trimestre encerrado em fevereiro de 2018, a mesma comparação apresentou alta de 2,0%, ritmo quase duas vezes maior. "O grau de efetivação não foi nada favorável", disse Azeredo.

Segundo o pesquisador, isso pode ter ocorrido pelo fato de a contratação de temporários no fim de 2018 ter sido mais forte do que no fim de 2017. Além das tradicionais vendas de fim de ano, as eleições gerais de outubro podem ter movimentado contratações.

Azeredo frisou ainda que o movimento deverá se manter nos dados da Pnad Continua referentes ao primeiro trimestre de 2019 fechado. Isso porque dezembro de 2018 sairá do trimestre móvel e o último mês do ano ainda é tímido em termos de demissão de temporários.

O pesquisador do IBGE disse que o movimento só será atenuado se a movimentação gerada na economia pelo feriado do carnaval, que neste ano foi em março e não aparece na Pnad divulgada mais cedo, tiver tido impacto positivo no mercado de trabalho. "Vamos ver se em março o carnaval preparou uma festa melhor para o mercado de trabalho", afirmou Azeredo.

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