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SP pode receber R$ 33,5 bi em investimentos entre 2019 e 2023, diz InvestSP

Thaís Barcellos

São Paulo

2019-05-23T18:10:00

23/05/2019 18h10

São Paulo tem um potencial de receber investimentos de R$ 33,5 bilhões entre 2019 e 2023, com 79 projetos, segundo levantamento da InvestSP (Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade). Há interesse de empresas nacionais e internacionais, de países como Espanha, México, China, Índia, Japão, Noruega e Taiwan, por exemplo, de acordo com a agência.

Ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o presidente da InvestSP, Wilson Mello, disse nesta quinta-feira, 23, que os números integram a carteira de projetos que a agência tem em análise de empresas que estão pensando em ampliar ou fazer novos investimentos no Estado. "É a realidade de tudo que está no nosso 'pipeline' de potencial de investimentos."

Mas Mello admitiu que os investimentos são potenciais e que podem não se concretizar. Para 2019, o presidente da InvestSP disse que "não se surpreenderia" se fossem anunciados investimentos da ordem de R$ 10 bilhões até o fim do ano, ponderando que há projetos que estão na expectativa da aprovação da reforma da Previdência e da reforma tributária, "fora de controle" do Estado.

Segundo ele, cada projeto têm maturação própria e cada um tem um ponto que precisa ser resolvido para que os investimentos sejam efetivados. Há alguns que dependem de algum processo de desestatização. Em outros casos, empresários esperam a aprovação da reforma da Previdência, ou a resolução de questões ambientais e tributárias.

O tema tributário, disse Mello, está sempre na pauta, mas não como benefício fiscal e sim como simplificação e modernização dos negócios. Mello acrescentou que há empresas fazendo análises comparativas com outros Estados e países. "Hoje não competimos só com outros Estados do Brasil, mas também com o México, a Argentina, o Chile e a Colômbia."

O presidente da InvestSP ainda disse que a criação de 11 polos de desenvolvimento econômico para a indústria, anunciada nesta quinta pelo governo do Estado, dá uma sinalização importante para o setor privado, de que o Estado está pensando no longo prazo.

Pela divisão dos polos, há oito projetos na carteira de investimento do setor de Saúde e Farmacêutico, com potencial de investimento de R$ 1,127 bilhão, 19 projetos de metal-metalúrgico, máquinas e equipamentos (R$ 4,705 bilhões), 12 no setor automotivo (R$ 3,158 bilhões), dez no segmento de químico, borracha e plástico (R$ 2,061 bilhões), três de derivados de petróleo e petroquímico (R$ 9,154 bilhões), um de biocombustíveis (R$ 300 milhões), 15 de alimentos e bebidas (R$ 2,851 bilhões), dois projetos de têxtil, vestuário e acessórios (R$ 35 milhões) e nove em tecnologia e aeroespacial (R$ 10,167 bilhões). Os polos de couro e calçados e ecoflorestal não têm nenhum novo projeto potencial, segundo a InvestSP. No total, há potencial de criação de 26.751 empregos.

Otimizar investimentos

Os polos concentram setores da indústria em algumas cidades com o objetivo de aumentar a produtividade, mas não envolve em nenhum investimento adicional do Executivo Estadual. O programa está em fase de estudos com cada polo e o governo deve dar mais detalhes no lançamento do programa de Indústria 4.0, no início de julho.

"Essas medidas já envolvem bilhões do orçamento do Estado. O que estamos fazendo aqui é otimizar esse investimento de acordo com a realidade do setor produtivo e das pessoas que estão precisando de emprego", disse a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patricia Ellen.

As medidas são de simplificação tributária e regulatória, financiamento competitivo, tecnologia e inovação, qualificação de mão de obra, infraestrutura e serviços e ambiente de negócios e desburocratização.

Todos os representantes do governo presentes na coletiva de anúncio dos polos de desenvolvimento fizeram questão de frisar que não há medidas de isenção ou redução de impostos. "Não estamos fazendo programa de incentivo fiscal para setores específicos. Não faremos redução ou isenção do ICMS, mas simplificação tributária."

A secretária explicou que ainda não está definido como será essa simplificação tributária. "De forma nenhuma está definido, estamos trabalhando com todos os setores. Está indo um por um mesmo."

Mas tanto Patrícia quanto o secretário de Fazenda, Henrique Meirelles, usaram o exemplo da bitributação de veículos blindados. Segundo eles, a produção dos veículos e a blindagem são entendidos como dois serviços diferentes, portanto, com duas tributações diferentes e que o objetivo é unificar esses dois tributos.

Durante a coletiva, o governador João Doria mencionou alguns investimentos que já foram feitos de empresas, como a Scania, que anunciou nesta terça-feira, 21, o aporte de R$ 1,4 bilhão em sua fábrica de caminhões em São Bernardo do Campo.

Patrícia esclareceu que já há outros investimentos prometidos por outras empresas, mas que o governo preferiu focar nesta quinta no anúncio dos polos e anunciar os investimentos nos próximos dias. Também não há estimativa de empregos gerados com a iniciativa.

Uma das medidas que parece mais adiantada é a de qualificação da mão de obra. Patricia disse que foi lançada a plataforma 'Minha Chance', que vai permitir que empresas e prefeituras coloquem suas demandas de profissões e, assim, o governo vai fazer o planejamento de cursos técnicos.

Segundo a secretária, o governo rescindiu contrato com empresas terceirizadas e deve concentrar a ofertas de cursos de qualificação no Centro Paula Souza. Com isso, conseguiu reduzir o custo em 30% e aumentar a cobertura em 40%, e pretende chegar em quatro anos a 800 mil a 1 milhão de matrículas, de 350 mil por ano atualmente.

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