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Presidente do BC reafirma que risco ligado às reformas é preponderante

Fabrício de Castro e Gustavo Porto

Brasília

27/06/2019 14h27

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, reafirmou nesta quinta-feira, 27, em apresentação sobre o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado mais cedo, informações da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que o risco ligado às reformas é preponderante.

Segundo ele, em relação à condução da política monetária, o comunicado foi que o cenário básico do Copom para a inflação envolve fatores de risco em ambas as direções: por um lado, o nível de ociosidade elevado pode continuar produzindo trajetória prospectiva abaixo do esperado e, por outro, uma eventual frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária.

"O Comitê avalia que o balanço de riscos para a inflação evoluiu de maneira favorável, mas entende que, neste momento, o risco é preponderante", repetiu Campos Neto. "O Comitê reitera sua visão de que a continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para a queda da taxa de juros estrutural, para o funcionamento pleno da política monetária e para a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes", completou.

'Sem chantagem'

O presidente do Banco Central afirmou também que não existe nenhum tipo de "chantagem" ao Congresso em relação à necessidade de reformas para que a Selic (a taxa básica de juros) possa ser novamente reduzida.

Em suas últimas comunicações, o BC vem ressaltando que o fator de risco relacionado ao andamento das reformas é "preponderante" neste momento. Isso foi entendido pelo mercado financeiro como um sinal de que, se a reforma da Previdência for aprovada no Congresso, o BC baixará a Selic.

"Não há pressão do BC no Congresso em relação a reformas", disse Campos Neto. "O cenário básico que trabalhamos é de que reforma será aprovada. Se não for aprovada, haverá sensibilidade contrária", pontuou.

Campos Neto afirmou ainda que o BC não sabe qual será o teor da reforma que será aprovada, "se será robusta ou não". "Analisamos sempre o balanço de risco e propomos um caminho sustentável", comentou Campos Neto.

Também presente à coletiva de imprensa, o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Viana de Carvalho, citou que a frustração com a reforma geraria aumento dos prêmios de risco, do custo do capital e mudanças no comportamento dos atores.

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