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Selic em queda obriga banco a cortar taxa de administração

Érika Motoda e Aline Bronzati

São Paulo

30/09/2019 08h07

A redução da Selic para 5,5% ao ano está obrigando grandes bancos de varejo a diminuírem as taxas de administração em fundos de investimentos de renda fixa, com o objetivo de reajustar a remuneração dos clientes ao atual cenário econômico, em que a taxa básica de juros está no menor patamar histórico.

Na última quinta-feira, o Banco do Brasil, por exemplo, anunciou cortes nas taxas de três fundos, que passaram a 3% ao ano. Conforme cálculos do banco BTG Pactual, os cortes podem afetar as receitas do BB em cerca de R$ 730 milhões ao ano.

Ainda há, porém, fundos de renda fixa no mercado com taxas de administração elevadas, chegando a 5% ao ano, segundo levantamento feito a pedido do jornal O Estado de S. Paulo pela empresa de soluções em software para o mercado financeiro Comdinheiro.

A Comdinheiro utilizou dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) de 12 meses até agosto sobre os fundos com mais de mil cotistas e patrimônio maior que R$ 1 bilhão. Constatou que o retorno do investimento nos cinco fundos mais caros é baixíssimo.

Isso porque a remuneração é atrelada ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI), cujo valor é sempre próximo ao da Selic e está em 5,4% ao ano. Com isso, por mais que o investimento rendesse o prêmio total do CDI, o custo da administração de 5% ao ano engoliria a maior parte do valor, deixando o investidor com apenas 0,4%. E o maior retorno entre os cinco fundos foi de 50,05% do CDI.

"É difícil os bancos darem um retorno de 100%", diz o diretor comercial da corretora Easynvest, Fabio Macedo. Dos 83 fundos incluídos no levantamento, só três tiveram esse desempenho: Safra Executive Corporate fundo de investimento em cotas de fundo de investimento (114,41%), Bradesco Prime fundo de investimento em cotas de fundos de investimento multi-índices longo prazo (110,29%) e BB longo prazo ativo multigestor private FIC FI (107,08%). Quem investiu nos três se deu bem, já que a taxa de administração mais alta não passa de 0,9%, o que aumenta a margem de lucro.

Uma taxa de administração mais alta, explicou Macedo, só compensa em caso de investimentos com maior grau de risco pois, por se tratar de aplicação menos conservadora, o gestor terá mais alternativas de direcionamento do dinheiro, e, com isso, aumentará a chance de uma boa rentabilidade.

Diversificar. Por mais que os investimentos em renda fixa não sejam tão atraentes em situações de baixa Selic, não quer dizer que tenham perdido serventia. "É o melhor investimento para quem é bastante conservador e está querendo colocar o pezinho para fora da poupança e conhecer de fato a questão operacional do mercado", diz o especialista em fundos da Ativa Investimentos, Bernardo Teixeira.

"O fundo DI com uma alta taxa de administração é pior que a poupança. Já o fundo DI com os ajustes feitos pelos bancos é muito melhor. Ainda é atraente, só que não tem mais aquela rentabilidade alta em um investimento ultraconservador", acrescenta.

A perspectiva é que a Selic siga em baixa. Alguns analistas acreditam que a tendência é que a taxa básica de juros termine o ano em 4,5%. Com esse cenário, o investidor precisará assumir riscos se quiser ver o dinheiro render mais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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