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Primeiro cinco estrelas do país, hotel que pertenceu a Eike é posto à venda

07.jul.2019 - O empresário Eike Batista durante evento "Empreende Brasil" - Fabricio de Almeida/Imagem & Arte
07.jul.2019 - O empresário Eike Batista durante evento "Empreende Brasil" Imagem: Fabricio de Almeida/Imagem & Arte

Mariana Durão

Rio de Janeiro

26/10/2019 08h26

Resumo da notícia

  • O atual gestor do Hotel Glória, o grupo árabe Mubadala, pretende vender 100% do prédio histórico
  • Aberto ao público em 1922 no Rio de Janeiro, o imóvel foi arrematado em 2008 por Eike Batista
  • Primeiro cinco estrelas do País, o Glória hospedou 19 presidentes da República, mas está abandonado desde 2013

O atual gestor do Hotel Glória, o grupo árabe Mubadala, pretende vender 100% do prédio histórico, aberto ao público em 1922 no Rio de Janeiro. Arrematado em 2008 pelo empresário Eike Batista, o imóvel é conhecido por ter abrigado o primeiro cinco estrelas do País, que hospedou 19 presidentes da República, mas está abandonado desde 2013.

O fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos contratou a BFIN Serviços Financeiros como assessora na busca por potenciais investidores.O grupo árabe recebeu o Hotel Glória em 2016 como parte da reestruturação da dívida de US$ 2 bilhões do empresário com o Mubadala, dono de US$ 229 bilhões em ativos.

Naquela época, as obras no hotel já estavam paradas havia três anos, como consequência da derrocada financeira do Grupo X. O então bilionário Eike Batista comprou o empreendimento em 2008, por R$ 80 milhões. Anunciou, uma grande reforma, para transformar o hotel em um luxuoso seis estrelas. A ideia era terminar a obra a tempo de aproveitar a Copa 2014 e a Olimpíada Rio 2016, mas isso não aconteceu.

"Oportunidade única"

Braço do grupo canadense Brookfield, a BFIN é especializada em mercado imobiliário. Uma apresentação a investidores batizada de "Project Marine" circula no mercado carioca.

Para seduzir investidores estrangeiros, a BFIN vende o Glória como "oportunidade única de retrofit de um dos imóveis mais icônicos do Brasil", com vista panorâmica para a Baía de Guanabara e o Pão de Açúcar.

Explica ainda que a legislação vigente no Rio é flexível, permitindo o uso hoteleiro ou residencial do imóvel. Procurados, Mubadala e BFIN não quiseram comentar a negociação.

Hoje, o Mubadala faz apenas a manutenção do prédio. Nas últimas semanas, o Hotel Glória voltou aos holofotes depois que circulou na imprensa a informação de que uma inspeção feita por engenheiros convidados pela Prefeitura do Rio teria recomendado a implosão do Glória. Procurada, a prefeitura do Rio negou a informação.

Especialista no setor imobiliário, o diretor-geral da Sergio Castro Imóveis, Cláudio Castro, aponta dois potenciais perfis de compradores para o Glória.

Um é uma rede hoteleira de grande porte; outro, uma incorporadora que queira repetir ali o bem sucedido modelo adotado pela Cyrela no edifício Hilton Santos, no Morro da Viúva, área nobre da zona sul carioca.

Assim como o Glória, o imóvel que pertencia ao Clube de Regatas do Flamengo chegou a ficar nas mãos de Eike. O projeto do empresário de transformar o prédio de 150 apartamentos em um hotel com 450 quartos não se concretizou.

O clube fez um acordo com a RJZ Cyrela que está transformando o edifício Hilton Santos em um condomínio residencial de luxo. Batizado de Rio by Yoo, teve 104 unidades postas à venda por até R$ 3,9 milhões, sendo que 98% já foram vendidas. A entrega está prevista para 2021.