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Credit Suisse prevê crescimento zero para o Brasil em 2020 por coronavírus

Getty Images
Imagem: Getty Images

Cícero Cotrim

São Paulo

17/03/2020 17h11

O Credit Suisse cortou a estimativa de crescimento do Brasil de 1,4% para 0,0% em 2020 e passou a considerar em seu cenário-base uma recessão técnica na primeira metade do ano, com contração de 0,1% no PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre e de 1,6% no segundo trimestre.

O banco também passou a projetar retração de 1,5% no PIB da América Latina neste ano, devido aos esforços de distanciamento social para contenção do coronavírus e à "rápida queda" de preços de commodities.

De acordo com a instituição, todos os países da região devem sofrer choques de oferta e demanda devido à ruptura em cadeias de suprimentos e aos esforços de quarentena, que devem se manter por uma parte "considerável" da primeira metade do ano.

PIB argentino deve recuar 2,6%

O banco revisou as estimativas de crescimento para a economia da Argentina de -1% para -2,6% e espera "enfraquecimento notável" do consumo das famílias, do investimento e das exportações no país.

"A atividade econômica será provavelmente afetada por um crescimento global mais fraco, menor demanda da China e por um Brasil mais fraco", escrevem os analistas Alonso Cervera, Juan Lorenzo Maldonado, Alberto J. Rojas e Leonardo Fonseca, que assinam o relatório do Credit Suisse a clientes.

Eles avaliam que a política econômica do governo argentino continua incerta, já que a reestruturação do déficit corrente deve continuar atrasada devido às dificuldades logísticas do país.

O banco espera que o peso desvalorize apenas marginalmente ante o dólar, prejudicando a competitividade do país frente a pares regionais como o Brasil, cujo real já se depreciou significativamente.

México e Chile devem ser os mais impactados

O Credit Suisse projeta que os maiores impactos, no entanto, aconteçam no México e no Chile, que são mais dependentes dos Estados Unidos e da China, economias grandes e mais afetadas pelo coronavírus. Para o México, o banco reduziu a estimativa de crescimento de 0,7% para retração de 4% e, para o Chile, de 1,8% para -1,5%.

O banco também reduziu a estimativa de crescimento da Colômbia, de 2,9% para 1,3%, principalmente devido ao choque nos preços de petróleo, mas avalia que o país está em melhores condições de enfrentar a desaceleração global porque começou 2020 "no pico do seu ciclo econômico".

Para o Equador, a estimativa foi reduzida de -1% para -2,3%, também devido ao choque de petróleo.

O Credit Suisse cortou, ainda, a estimativa de crescimento do PIB do Peru de 3% para 1%, devido à exposição do país à China, que absorve 25% de suas exportações.

Para a Venezuela, a estimativa foi reduzida de -8,5% para -12,5%, com destaque para a queda dos preços de petróleo.

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