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IBGE: estudos atestaram ser viável a divulgação dos dados do 1º trimestre

O IBGE interrompeu a coleta presencial de todas as pesquisas do órgão no dia 17 de março, por conta do coronavírus - Reprodução
O IBGE interrompeu a coleta presencial de todas as pesquisas do órgão no dia 17 de março, por conta do coronavírus Imagem: Reprodução

Daniela Amorim

Do Estadão Conteúdo, no Rio

30/04/2020 14h37

Apesar das dificuldades na coleta em meio à pandemia do novo coronavírus, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) garantiu a qualidade das informações do mercado de trabalho obtidas pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) de março.

Os resultados referentes em abril tiveram a duração a coleta estendida e ainda devem passar pelo controle de qualidade, que deverá atestar se o órgão deve ou não divulgar as informações.

"Tem dificuldade de fazer. A primeira é a falta do telefone, a segunda é que a pessoa atenda o telefone. Depois que atende, pra fazer que responda a pesquisa fica muito mais fácil. A equipe é treinada, está fazendo o trabalho. A gente tem muita clareza que vai conseguir fazer abril também, mesmo que demore a tirar do campo. A gente prefere dar mais tempo pra essa coleta ser feita e sacrificar o processo da apuração, fazendo menos texto, trabalhando final de semana, pra poder insistir em fazer a entrevista", disse Cimar Azeredo.

O IBGE interrompeu a coleta presencial de todas as pesquisas do órgão no dia 17 de março, em função das recomendações de isolamento social e restrição de circulação de pessoas no combate ao coronavírus.

O instituto reconheceu que a Pnad Contínua foi desenhada para ser coletada de forma presencial e que havia uma recomendação para que não fosse conduzida por telefone, mas o trabalho dos entrevistadores teve que ser adaptado à nova realidade. Não houve tempo hábil sequer para realização de ajustes no questionário da pesquisa.

"A gente não teve tempo hábil para mexer no questionário da pesquisa. A pesquisa já estava em campo, então absolutamente nada foi alterado", disse Cimar Azeredo.

O instituto informou que já detinha o telefone de contato de alguns domicílios visitados anteriormente pela Pnad Contínua e que obteve outros números através do pareamento da lista de domicílios da pesquisa com bases de dados disponíveis também no próprio órgão.

"Mas a maior parte foi através de criatividade de quem estava na coleta, usando bases da saúde, na área rural tinham dados do censo agropecuário, usaram motoboy para entregar carta no domicílio, mandaram telegrama", enumerou Azeredo.

O IBGE esteve no centro de uma polêmica após a edição de uma Medida Provisória que obriga operadoras de telefonia a repassar ao instituto os dados de todos os usuários no País.

A medida foi questionada em diferentes ações no Supremo Tribunal federal, que derrubou o efeito. No entanto, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já tinha entregado ao órgão o cadastro de usuários de telefonia, com base em legislação já em vigor que protege a produção estatística para a formulação de políticas públicas assim como sigilo estatístico.

Segundo Cimar Azeredo, os dados da Anatel não foram usados na Pnad Contínua referente a março, mas serão adotados na coleta de abril, que está em campo. Segundo ele, as informações entregues pela Anatel são de 2019, mas já estariam defasadas.

"A gente precisa muito desses telefones. A gente tem alguns, mas a MP não foi feita desnecessariamente, a gente precisa desses telefones atualizados para que a gente possa colocar essa pesquisa pra frente", argumentou Azeredo.

O IBGE disse que teve êxito na maioria dos contatos realizados, mas que houve dificuldade para obter telefones de parte dos domicílios selecionados, principalmente dos que estavam na primeira entrevista.

Alguns procedimentos de controle foram adaptados à nova modalidade de coleta. Segundo o IBGE, a taxa de resposta da pesquisa em março de 2020 foi de 61,3%, ante um desempenho de 88,4% em janeiro e 87,9% em fevereiro. A Coordenação de Métodos e Qualidade da Diretoria de Pesquisas do IBGE fez um estudo para avaliar os impactos dessa redução na taxa de resposta sobre os dados obtidos, tanto da taxa de desocupação quanto do rendimento médio habitual, mas não observou aumento significativo nos coeficientes de variação (CV).

"Mediante tais considerações, aquela coordenação atestou ser viável a divulgação dos dados do 1º trimestre de 2020. Estudos estão sendo realizados com o intuito de avaliar a possibilidade de divulgação da pesquisa para os demais recortes geográficos e temáticos previstos, e que não constam desta divulgação", informou o órgão, em nota técnica.

Segundo Azeredo, o módulo de perguntas sobre educação, que entraria na coleta de abril, foi retirado da pesquisa. "É um módulo grande, vai entrar em outro momento", afirmou.

O diretor do IBGE disse que a taxa de coleta de abril estava em 43,84%, com fechamento previsto apenas para o dia 20 do mês que vem.

Para Azeredo, os dados divulgados de março já acertaram ao mostrar um impacto da covid-19 no mercado de trabalho para além do movimento sazonal de dispensa de trabalhadores temporários.

"Já perdemos Caged, não temos informações sobre mercado de trabalho formal por enquanto, perder a Pnad Contínua seria um prejuízo muito grande", lembrou.