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Campos Neto: nenhum BC vai dizer que imposto sobre transação eletrônica é querido

Fabrício de Castro e Lorenna Rodrigues

Brasília

16/07/2020 16h34

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta quinta-feira, 16, que "nenhum banqueiro central do mundo vai dizer que um imposto sobre transação financeira é querido, mas temos que entender por que ele está sendo criado".

O comentário, feito por Campos Neto durante evento virtual, diz respeito ao imposto sobre transações eletrônicas que vem sendo defendido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. A alíquota seria de 0,2% e, segundo Guedes, o tributo permitiria desonerar a folha salarial das empresas.

"A ideia do ministro de ter um instrumento para fazer desoneração de folha grande é relevante", avaliou Campos Neto. "A alíquota de imposto de transações financeiras teria que ser pequena, porque estamos com juros baixos. Mas este assunto é do Ministério da Economia", acrescentou.

Campos Neto participou nesta quinta do evento virtual "Perspectivas para a Economia Brasileira e o Sistema Bancário", promovido pelo Itaú.

Desvio fiscal

Campos Neto afirmou que o Brasil precisa demonstrar ao resto do mundo que o desvio fiscal ocorrido na crise é temporário. Segundo ele, antes da pandemia do novo coronavírus o País estava em "clara tendência de convergência fiscal". "Mas tivemos desvios."

A questão fiscal - que se materializa no aumento do déficit primário - é uma das principais preocupações do governo para o período pós-pandemia. Um dos receios é de que, com o rombo fiscal, a dívida pública atinja patamar que faça o Brasil se tornar insolvente perante a avaliação externa.

"Se tivermos fiscal desorganizado, não existe País com juros baixos", alertou Campos Neto. "Se o fiscal se desorganizar, não vamos conviver com juros baixos", reforçou.

Campos Neto defendeu ainda a importância de cumprimento do chamado "teto de gastos" que, segundo ele, é "simbólico" na avaliação da economia brasileira por parte dos mercados internacionais.

Ao mesmo tempo, ele lembrou que o Brasil tem uma vantagem em relação a outros países: a de ter estabelecido um prazo para os programas emergenciais da pandemia, que estão elevando o déficit fiscal. "Todas as medidas para covid-19 no Brasil vencem em dezembro. Isso nos coloca em posição favorável", disse.

O presidente do BC também afirmou que o governo brasileiro vai deixar claro, ao investidor internacional, que voltará à trajetória inicial e que vai perseguir a disciplina fiscal.

"Estamos otimistas, entendemos que haverá uma recuperação", afirmou, em referência à economia brasileira. "Quero passar uma mensagem de otimismo e equilíbrio para todos."