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Fed: inflação levará anos até superar meta de 2%, prevê Evans

Gabriel Bueno da Costa

São Paulo

05/10/2020 13h01

Presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Chicago, Charles Evans afirmou nesta segunda-feira, 5, que, sem o apoio fiscal "adequado", a dinâmica de recessão pode ganhar força nos Estados Unidos. Durante discurso em evento virtual, Evans avaliou que a economia do país tem se recuperado, apesar do vírus, e que seu desempenho inclusive tem "surpreendido", mas também ressaltou que há um "longo caminho pela frente" nesse processo, projetando que a inflação deve superar a meta de 2% apenas em 2023.

Sem direito a voto nas decisões de política monetária neste ano, Evans disse que a inflação deve ter avanço "gradual" e atingir a meta de 2% de modo persistente em 2023. Depois disso, o BC deixará que ela supere esse nível por um tempo "moderadamente", comentou sobre o ajuste na política monetária anunciado recentemente, com a busca agora por uma "inflação média" de 2%. Em seu discurso, Evans mencionou como exemplo que isso poderia significar deixar a inflação em cerca de 2,5% por um tempo a partir de 2023, até se garantir a meta simétrica, mas também disse que para alguns no Fed esse nível poderia parecer "excessivo". Ele lembrou que a nova estratégia não inclui detalhes operacionais específicos e que o contexto terá de ser avaliado a cada momento.

Para Evans, a taxa de desemprego recuará a 4% apenas em 2023. Ele ressaltou que suas projeções, porém, incluem novas medidas de estímulo fiscal do governo federal. Evans argumentou que esse apoio terá "enorme papel" para dar alívio adequado à economia em uma crise de saúde. O dirigente comentou que pessoas físicas e jurídicas ainda precisam de ajuda, bem como os governos estaduais e locais. Sem apoio fiscal adequado, a trajetória até o máximo emprego almejado pelo Fed será mais lenta, advertiu.

De qualquer modo, Evans disse que a economia dos EUA não deve retornar ao nível anterior à pandemia antes do fim de 2021. Ele ainda afirmou que há cenários piores que poderiam se materializar, como novas ondas "devastadoras" da covid-19 a ameaçar a saúde dos americanos e a economia do país.