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Credibilidade fiscal passa a ser mais importante que injetar dinheiro, diz BC

Sede do Banco Central, em Brasília (DF) - ADRIANO MACHADO
Sede do Banco Central, em Brasília (DF) Imagem: ADRIANO MACHADO

Eduardo Laguna e Eduardo Rodrigues

São Paulo e Brasília

05/11/2020 17h58

Em discurso em defesa das reformas e dos compromissos fiscais, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, salientou hoje que a construção da credibilidade do país é mais eficiente em dar dinâmica à economia do que a saída pela expansão fiscal. Ao participar de congresso promovido pelo Instituto Líderes do Amanhã, ele comentou que, se fizer a "lição de casa" - ou seja, realizar as reformas -, o Brasil vai atrair recursos a obras de infraestrutura.

"A credibilidade é mais importante do que o ganho que se possa ter injetando dinheiro na economia", comentou Campos Neto, após frisar que a indisciplina fiscal leva ao risco de desorganização de preços no mercado, num contexto em que o Brasil aumenta a sua dívida para enfrentar a pandemia. "Se não enfrentarmos o lado fiscal, isso volta a piorar", assinalou, ao defender a importância de retomar o rumo de disciplina com os gastos públicos.

Segundo ele, a reação do mercado à aprovação no Congresso da autonomia do BC, com "clara diferenciação" dos ativos brasileiros, representa uma mensagem de que o dinheiro virá se o Brasil evoluir nas reformas.

Após lembrar que países que apresentaram respostas fiscais mais potentes tiveram menor impacto da pandemia na economia, o presidente do BC disse ainda que o regime de teto de gastos deu liberdade para o Brasil gastar mais desde a chegada do coronavírus.