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Estrutura de juros está muito ligada à credibilidade fiscal, diz presidente do BC

Francisco Carlos de Assis e Eduardo Rodrigues

São Paulo e Brasília

05/11/2020 15h11

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, voltou a destacar nesta quinta-feira, 5, a importância do teto de gastos para a manutenção da confiança dos agentes econômicos na economia brasileira e como base de sustentação de medidas adotadas pela autoridade monetária, como as implementadas com vistas ao combate à pandemia. Ele ressaltou que a estrutura da taxa de juro está associada à credibilidade fiscal do País.

Campos Neto é participante da live "Inovações da Agenda BC#", organizada pelo Instituto ProPague, uma iniciativa da companhia de tecnologia em serviços financeiros Stone Co..

Segundo o banqueiro central, logo no começo da crise sanitária que se abateu sobre a economia mundial, o Brasil só pôde tomar medidas que deram suporte à liquidez e ao crédito porque havia uma grande confiança no fiscal afiançada pelo teto de gastos.

"Na parte de capital, fizemos uma grande quantidade, talvez a maior. Isso explica o nosso crescimento do crédito. Na Europa, os países que deram mais crédito como nós são os que mais estão crescendo", disse Campos Neto.

De acordo com ele, é importante se ter uma Selic baixa, mas, se a curva longa estiver alta, não se consegue desenvolver projetos de prazo maior. O contrário ocorre caso essa estrutura aponte para juros mais baixos.

No entanto, alertou o presidente do BC, quando chegou a pandemia do coronavírus e o teto de gastos passou a ser questionado, a parte fiscal passou a entrar mais na percepção das pessoas e a curva longa de juro se elevou.

"Conseguimos fazer o que fizemos com o teto de gastos. Quando o teto de gastos passou a ser questionado, a curva de juro passou a subir", disse o presidente do BC, acrescentando que isso mostra que mostra que o teto de gastos precisa ser mantido.