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Para analistas, cotação do dólar dependerá de medidas fiscais

Bancos como JPMorgan, Citibank, Commerzbank, Morgan Stanley e Bank of America, além de consultorias como a Capital Economics e corretoras, como a Commcor e NGO, veem o dólar acima de R$ 5 nos próximos meses - Reprodução
Bancos como JPMorgan, Citibank, Commerzbank, Morgan Stanley e Bank of America, além de consultorias como a Capital Economics e corretoras, como a Commcor e NGO, veem o dólar acima de R$ 5 nos próximos meses Imagem: Reprodução

Altamiro Silva Junior e Silvana Rocha

Em São Paulo

28/12/2020 07h15

O real teve forte recuperação nas últimas semanas, saindo da casa dos R$ 5,60 e chegando perto de R$ 5. Bancos, consultorias internacionais e corretoras locais até veem a moeda americana furando os R$ 5 pontualmente em 2021. Mas, para permanecer neste nível de forma sustentada, será preciso que o governo de Jair Bolsonaro avance com o ajuste fiscal - o que analistas veem como uma dificuldade para o ano que vem.

Bancos como JPMorgan, Citibank, Commerzbank, Morgan Stanley e Bank of America, além de consultorias como a Capital Economics e corretoras, como a Commcor e NGO, veem o dólar acima de R$ 5 nos próximos meses. Mas, com chance do fluxo para emergentes seguir forte, em meio à liquidez sem precedentes no mercado financeiro internacional, o real pode ter apreciação pontual no início de 2021. Cálculos de bancos como o Citibank e da gestora Verde Asset Management indicam que o dólar possa estar 20% acima do preço justo no Brasil.

"Nossa visão é de patamar de câmbio mais depreciado do que o atual", avalia o economista-chefe no Brasil do banco americano Citi, Leonardo Porto. Para ele, o ruído político deve seguir alto, na medida em que crescem os casos de coronavírus no País. Ele projeta o dólar a R$ 5,43 no fim de 2021, ano em que o governo deve superar o teto de gastos em ao menos em R$ 75 bilhões, prevê o banco.

Se o início da vacinação no Brasil ocorrer no primeiro trimestre de 2021, será fator de comemoração nos mercados. Se ficar para depois, poderá prejudicar a recuperação da arrecadação e da economia do País, avalia o gerente de derivativos financeiros da corretora Commcor, Cleber Alessie Machado Neto. Para ele, o começo do próximo ano tende a ser favorável a ativos de risco por causa da vacinação contra a Covid-19 em andamento em vários países, estímulos fiscais abundantes e juros baixos no mundo. Mas, para o Brasil "surfar" na onda externa positiva, será preciso que o governo consiga aprovar as reformas administrativa e tributária no primeiro semestre e cumprir o teto de gastos.

O sócio e gestor da Verde, Luis Stuhlberger, calcula que o dólar mais justo seria na casa dos R$ 4,20, mas, com a situação fiscal, a moeda opera bem acima desse patamar. Se o governo furar o teto em 2021, o nível do dólar pode subir ainda mais "10% a 15%", disse ele, em evento recente pela internet. Para Stuhlberger, dada a situação fiscal muito frágil do Brasil, furar o teto seria muito ruim, mesmo que isso seja feito de forma provisória.

O economista e sócio-diretor da corretora NGO, Sidnei Nehme, acredita que a taxa de câmbio poderia já ter furado os R$ 5 pela pressão vinda do dólar frágil no exterior e por causa dos juros muito baixos no mundo. Mas ele antevê dificuldades políticas até o começo de fevereiro para implementar reformas e medidas de ajuste fiscal, por causa da eleição às presidências da Câmara e do Senado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.