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Integrante do BoE defende juros negativos, se mais estímulo for necessário

Gabriel Bueno da Costa

São Paulo

11/01/2021 14h58

Integrante do comitê de política monetária do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), Silvana Tenreyro realizou um discurso durante evento virtual nesta segunda-feira, 11, no qual argumentou que os juros negativos devem ser levados em conta como uma alternativa, caso seja necessário relaxar mais a política monetária no Reino Unido. "A política fiscal é o principal ator nesta crise, mas a política monetária tem seu papel", disse.

Em sua apresentação, Tenreyro discutiu exemplos já vistos do uso de juros negativos. Segundo ela, não há evidência de que esse instrumento tenha reduzido os lucros de bancos, em geral.

Além disso, os canais do mercado financeiro na transmissão da política monetária trabalharam de modo adequado, quando eles estavam em vigor. Os juros negativos, além disso, de fato podem prover "estímulo significativo", impulsionando o Produto Interno Bruto (PIB) e a inflação no Reino Unido, afirmou.

Ela lembrou que o comitê do BoE já informou que não apertará a política monetária até que "exista evidência clara de progresso significativo tenha sido feito para eliminar a capacidade ociosa e atingir a sustentabilidade da meta de inflação".

Tenreyro também comentou sobre sua perspectiva para a economia, no quadro atual. Como era de se esperar, ela ressaltou que isso dependerá muito da trajetória da covid-19, tanto dentro quanto fora do país.

A dirigente disse que, antes que a vacinação contra o vírus esteja disseminada, alguns setores enfrentarão "limites" para sua recuperação.

Outro ponto mencionado por ela é que, mesmo que os britânicos consigam vacinar sua população rápido, o fato de que parceiros comerciais possam mostrar ritmo mais lento nesse processo terá impactos na economia do Reino Unido.