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BC indica nova alta de 0,75 ponto porcentual nos juros, mas discute limite

Copom do Banco Central reforçou a sinalização de que a taxa básica de juros (Selic) subirá mais 0,75 ponto porcentual em junho, para 4,25% ao ano - Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Copom do Banco Central reforçou a sinalização de que a taxa básica de juros (Selic) subirá mais 0,75 ponto porcentual em junho, para 4,25% ao ano Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues. Colaborou Thaís Barcellos

Brasília

11/05/2021 12h26

Os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reforçaram nesta terça-feira 11, por meio da ata de seu último encontro, a sinalização de que a taxa básica de juros (Selic) subirá mais 0,75 ponto porcentual em junho, para 4,25% ao ano. O aumento daria continuidade à resposta, iniciada em março pelo BC, ao avanço das projeções de inflação, na esteira dos aumentos dos preços dos alimentos e de energia no Brasil.

A intenção do BC é frear a inflação. Por outro lado, a medida é criticada pelo setor produtivo do país, uma vez que sinaliza aos investidores que a aplicação de recursos em papéis pode ser mais vantajosa que os investimentos diretos em negócios.

Na semana passada, o Copom - formado pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto, e pelos oito diretores da autarquia - decidiu elevar a Selic em 0,75 ponto porcentual, de 2,75% para 3,50% ao ano. Foi o segundo aumento da taxa básica este ano.

No documento divulgado nesta terça, no entanto, o BC discutiu a necessidade de promover elevações subsequentes da Selic até o valor considerado "neutro" - ou seja, o nível em que o juro básico, em tese, não estaria mais "estimulativo" para a atividade econômica e, ao mesmo tempo, não seria um fator inflacionário.

Em sua linguagem técnica, o BC pontuou que elevações seguidas da Selic, sem interrupção, até o patamar neutro levariam as projeções de inflação a níveis "consideravelmente" abaixo das metas de inflação.

O BC persegue metas de inflação de 3,75% para 2021 e 3,50% para 2022, com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.

Na ata, a instituição informou que suas projeções para o IPCA - o índice oficial de preços - são de 5,1% este ano e 3,4% no próximo ano. O cenário sugere que a inflação ficará acima da meta em 2021 e muito próxima do alvo em 2022.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça que o IPCA de abril desacelerou para 0,31% em abril, mas atingiu 6,76% no acumulado em 12 meses, acima do teto da meta para este ano.

O que os dirigentes do BC discutiram é até que ponto buscar o "patamar neutro" não faria com que a inflação em 2022 fique "consideravelmente" abaixo da meta. Se por um lado o BC não quer a inflação acima da meta, por outro também não vê necessidade de forçar um índice muito abaixo, justamente quando a economia do País luta para se recuperar.

"O BC está dizendo que vê no cenário que não tem que chegar no patamar neutro, mas em um nível próximo de 5,5%. Mas faz altas de 0,75 ponto da Selic porque está preocupado com o balanço de riscos assimétrico, que tem empurrado as expectativas (de inflação) do ano que vem para cima da meta", avalia o diretor do ASA Investments e ex-secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall.

Ao considerar o cenário, no entanto, Kawall mantém a projeção de que a Selic chegará aos 6,50% ao ano no fim de 2021.

Atividade

O debate dos diretores do BC surge em um momento em que o Brasil enfrenta a segunda onda da pandemia de covid-19 e tem dificuldades para reativar a atividade.

Na ata, os membros do Copom ponderaram que os indicadores de atividade recentes mostram uma evolução "mais positiva que o esperado", mas que a intensidade da segunda onda da pandemia está "maior do que o antecipado".

Para o BC, a retomada da economia será mais "robusta" no segundo semestre deste ano, quando os efeitos da vacinação forem sentidos "de forma mais abrangente".

Dados do consórcio de imprensa divulgados na noite de segunda-feira, 10, mostram que, faltando dois meses para o fim do primeiro semestre, apenas 16,96% da população brasileira já recebeu pelo menos a primeira dose da vacina contra covid-19. A parcela dos que receberam as duas doses é de 8,57%.