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Inflação tem impactado mais fortemente as classes mais baixas, admite BC

Com o fim das medidas de distanciamento social, é esperado que a inflação de bens caia, mas a de serviços suba, disse BC - Mykyta Dolmatov/Getty Images/iStockphoto
Com o fim das medidas de distanciamento social, é esperado que a inflação de bens caia, mas a de serviços suba, disse BC Imagem: Mykyta Dolmatov/Getty Images/iStockphoto

Lorenna Rodrigues e Fabrício de Castro

Em Brasília

24/06/2021 14h40Atualizada em 24/06/2021 17h38

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, admitiu que a alta de preços tem impactado de forma mais forte as classes mais baixas.

"Inflação para as classes mais baixas tem rodado acima da das classes médias. Inflação das classes mais baixas tem convergido um pouco, mas ainda está acima", afirmou .

Como mostrou na semana passada o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que a alta de preços atinge de maneira diferente ricos e pobres.

Desde que a pandemia do novo coronavírus começou, em março do ano passado, a inflação oficial acumulada medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) foi de 7,39%.

Para as famílias com renda de até cinco salários mínimos, porém, o índice medido pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) foi maior, de 8,57%.

Inflação de serviços

O presidente do Banco Central disse também que autoridade monetária acompanha o processo de mudança da pressão inflacionária de bens para serviço.

"Vemos que, no mundo, temos inflação de serviços subindo, uma inflação de bens que subiu muito e a contrapartida não está como se esperava. No Brasil ainda temos uma inflação de serviços ainda bastante baixa", afirmou.

Segundo Campos Neto, o BC está reavaliando a questão para ter certeza que componentes inflacionários que entende serem temporais continuam presente e como se dá a contaminação na inflação desses componentes.

Efeito do fim do menor isolamento social

O diretor de Política Econômica do Banco Central afirmou que, com o fim do isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus, é previsto que a inflação global de bens caia e que, por outro lado, a inflação de serviços suba.

Segundo Kanczuk, era de se esperar que houvesse, durante a pandemia, uma "separação" entre a inflação de bens e a de serviços. A expectativa era de alta para bens e queda para serviços, em função da dinâmica de fechamento de estabelecimentos durante a pandemia.

"A inflação global de bens subiu muito mais do que era previsto", acrescentou. "Parte da subida da inflação de bens na pandemia foi por uma questão de demanda. A demanda mudou de serviços para bens por conta da pandemia."

Cadeias de fornecimento

Kanczuk avaliou ainda que parte da subida forte de inflação global de bens durante a pandemia ocorreu pela interrupção das cadeias de fornecimento. Ele deu como exemplo as dificuldades para a compra de chips de computador.

Ao tratar da inflação global, Kanczuk afirmou que tanto os bancos centrais quanto os analistas não sabem o que vai acontecer.

Ele citou o fato de haver preocupações com a inflação em países como Estados Unidos e Chile, enquanto o Reino Unido e a Índia adotam postura mais tranquila em relação à alta de preços.

"O Brasil é um dos países emergentes que mostrou inflação acumulada mais alta", acrescentou.

Segundo ele, os porcentuais verificados aqui não superaram, no entanto, os registrados na Rússia e na Turquia. No caso dos alimentos, destacou o diretor, "o Brasil teve inflação alta; só recentemente a Turquia superou".

Kanczuk afirmou ainda que, com as políticas fiscal e monetária expansionistas, a economia mundial tem mostrando "crescimento exuberante". "Há exuberância no crescimento de curto prazo", disse.