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Diferentes atores 'simulam a lógica de uma escalada nuclear', diz Guedes

Paulo Guedes, ministro da Economia  - Edu Andrade/ME
Paulo Guedes, ministro da Economia Imagem: Edu Andrade/ME

Idiana Tomazelli

Do Estadão Conteúdo, em Brasília

01/09/2021 15h44

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quarta-feira (1) que diferentes atores do País muitas vezes "simulam a lógica de uma escalada nuclear", referindo-se aos embates na arena política, mas ressaltou que em algum momento é preciso "acalmar tudo" e "trabalhar porque o Brasil precisa disso". Ele também admitiu que às vezes o presidente da República, Jair Bolsonaro, reage "não tão bem" às críticas que recebe, mas citou o "estilo pessoal" do chefe do Executivo.

"Tem gente de todo lado fazendo bagunça e tem gente de todo lado tentando acalmar, fazer a coisa amansar. Eu confio na democracia brasileira, eu confio em todos os atores que estão bem intencionados. Às vezes um ator, para se defender, fala um pouco mais alto, aí o outro do lado de lá fala mais alto também... simulam a lógica de uma escalada nuclear: bota mais arma aqui, o outro ali, o outro ali, mas no fundo em algum momento tem que parar e falar olha, parar por aqui, vamos acalmar tudo, vamos trabalhar porque o Brasil precisa disso", afirmou Guedes durante evento promovido pela Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo.

Durante o evento, o ministro citou diversas vezes o "barulho" das instituições e classificou como uma "demarcação de território", mas afirmou que os resultados das interações entre os poderes estão saindo. Ele mencionou como exemplo a solução vinda do Judiciário para o "meteoro" dos precatórios, como são chamadas as dívidas judiciais, que está em negociação com o Supremo Tribunal Federal (STF), Congresso Nacional e Tribunal de Contas da União (TCU).

"Pode ter muita briga política, mas estamos trabalhando", disse Guedes. "Toda vez que a crise se agudizou, todo mundo colaborou (para resolver)", acrescentou, reafirmando seu "voto de confiança" no Congresso e também no empresariado. Nos últimos dias, entidades de diversos setores, incluindo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), elaboraram um manifesto pedindo "serenidade" diante do acirramento de ânimos entre os poderes. O agronegócio também endossou a crítica.

O ministro havia encerrado seu discurso, mas voltou a fazer considerações após parlamentares criticarem algumas medidas do governo. Ao retomar a fala, Guedes acabou mencionando o "estilo pessoal" do chefe do Executivo.

"Me ressinto às vezes. Há pouca compreensão com o desprendimento do presidente de querer ajudar a avançar com as coisas, mas também... estilo pessoal, é um estilo pessoal. Às vezes recebe crítica de um lado, aí reage à crítica também às vezes não tão bem. Mas eu acredito na democracia brasileira, acho que o presidente é um fruto dessa democracia, acho que os partidos todos estão se aprimorando atualmente, buscando um aperfeiçoamento", afirmou Guedes.

O ministro disse ainda que ele próprio, para se defender, acaba dando "um empurrão para um lado". Em tom ameno, porém, ele citou programas feitos pelos governos Fernando Henrique Cardoso, como Bolsa Escola, e Luiz Inácio Lula da Silva, como Bolsa Família, e disse reconhecer "todo mundo que está contribuindo e já contribuiu".

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