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Com falta de peças, montadoras suspendem contrato de trabalho de funcionários

Operário olha carro na linha de montagem da fábrica da montadora de automóveis Ford, em São Bernardo do Campo (SP) - Rodrigo Paiva/Folhapress
Operário olha carro na linha de montagem da fábrica da montadora de automóveis Ford, em São Bernardo do Campo (SP) Imagem: Rodrigo Paiva/Folhapress

Cleide Silva

30/09/2021 20h00

A indústria automobilística brasileira se prepara para um fim de ano de baixa produção e fábricas fechadas, numa sequência do cenário visto ao longo de 2021 e que poderá reduzir a expectativa dos resultados do setor.

Até agora, a maioria das empresas adotou períodos de férias coletivas, antecipação de feriados e folgas aos funcionários para driblar a falta de componentes para a produção, em especial de semicondutores.

Para o fim de ano, contudo, a opção voltou a ser o lay-off (suspensão de contratos de trabalho), que permite períodos mais longos de dispensas. Também estão nos acordos com os funcionários programas de demissão voluntária (PDV) e redução de jornada e salários.

Dona da Fiat, a Stellantis vai colocar em lay-off 1,8 mil funcionários da unidade de Betim (MG) por três meses a partir de segunda-feira. A empresa vem promovendo paralisações parciais em linhas de produtos por prazos de dez dias.

Na fábrica mineira trabalham 13 mil pessoas, incluindo pessoal administrativo, e são produzidos seis veículos, entre os quais a Strada, o Argo e o Mobi, que estão entre os quatro modelos mais vendidos neste ano. A picape Strada tem fila de espera de mais de três meses. Também acabou de entrar em linha recentemente o Pulse, primeiro SUV da marca produzido no País e com lançamento marcado para 19 de outubro.

A Renault abriu hoje um PDV para 250 funcionários da fábrica de São José dos Pinhais (PR) e vai colocar outros 300 em lay-off inicialmente por cinco meses. O complexo emprega ao todo 6.450 trabalhadores, cerca de 5 mil deles na área de produção.

Na Volkswagen, a produção em São Bernardo do Campo (SP) está suspensa por dez dias a partir da última segunda-feira, mas avalia colocar trabalhadores de um turno em lay-off a partir de novembro. Por enquanto, a montadora informa que, no momento, a medida de flexibilização adotada são férias coletivas - medida que está em uso também na unidade de Taubaté para um turno de trabalho.

Preservação de empregos

As três fabricantes justificam as medidas como forma de preservar empregos enquanto a produção segue em ritmo lento por causa da falta de componentes, problema global que pode se estender até o fim do primeiro semestre de 2022.

Em nota, a Renault informa que as medidas foram aprovadas ontem em assembleia dos trabalhadores e são resultado dos "impactos provocados pela covid-19 na fabricação de componentes eletrônicos e da falta de perspectiva de melhora do cenário global". Redução de jornada e salários também está no pacote.

Ao todo, a Renault já teve a produção suspensa por 41 dias ao longo do ano, porque não havia peças para a produção dos modelos Captur, Kwid, Sandero, Logan, Duster, Oroch e Master.

Nesta semana, retornaram ao trabalho 250 funcionários que estavam com contratos suspensos há um ano. Na sequência, o grupo entrou em férias coletivas porque não há trabalho para essa equipe. Por isso a empresa abriu o PDV, que oferece como incentivo de 10 a 11 salários extras a quem aderir. Se não atingir a meta, indicará o pessoal a ser demitido.

O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba afirma que as propostas foram decididas em conjunto com a empresa e que focou ao máximo a preservação dos empregos. Os salários, reduzidos durante o lay-off, serão bancados pela própria empresa.

"Os trabalhadores novamente precisam 'investir' para garantir emprego, concedendo INPC em troca de abono, aceitando PDV e redução de jornada para deixar a empresa mais competitiva. São os trabalhadores que estão buscando as soluções. Os governos não estão fazendo nada", diz o presidente da entidade, Sérgio Butka.

Também em nota, a Fiat afirma que o lay-off "é decorrência do impacto da crise sanitária e de suas consequências sobre a economia, que agravaram a escassez global de insumos, notadamente de componentes eletrônicos, comprometendo a capacidade de manter o ritmo e volume de produção dentro de padrões previsíveis".

Durante o período de suspensão de contratos na Fiat, parte dos salários dos funcionários será complementada com recursos do seguro-desemprego e os funcionários passarão por requalificação profissional.

Produção deve ser menor do que a prevista

Em julho, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) projetou para este ano a produção de 2,46 milhões de veículos, o que representaria alta de 22% em relação a 2020. Afetado pela pandemia, foi um dos piores anos da história do setor.

Neste ano, até agosto, foram fabricados 1,47 milhão de veículos e a previsão da Anfavea não deve se confirmar. As montadoras empregam atualmente 103 mil funcionários, quase o mesmo número de igual período do ano passado.

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